Yeda diz fazer 'pente-fino' em reforma tributária

A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), disse hoje que está fazendo um "pente-fino" na proposta de reforma tributária enviada pelo Planalto ao Congresso. O texto ainda não contém dados suficientes para uma avaliação de seu efeito sobre cada item de receita, observou Yeda, ao citar que ele expressa algumas "intenções". A mais importante, assinalou ela, é que o fundo de ressarcimento para equilibrar os resultados da reforma nos Estados exportadores (Fundo de Equalização de Receita) não tem valor definido."Fico mais preocupada quando um acordo ontem no Congresso retirou R$ 700 milhões da verba orçamentária da Lei Kandir para colocar num fundo para o qual não há segurança de ressarcimento", cobrou Yeda. Ela lembrou que sempre apoiou a reforma tributária e reiterou que o Rio Grande do Sul é o Estado que mais precisa da mudança. "Sem dúvida deve haver alguma perda, mas também ganho com o fim da guerra fiscal e o sentido mais federalista que terá a estrutura tributária", disse Yeda.Como falta o valor para o fundo de ressarcimento, Yeda avaliou que isso explica a reação dos governadores do PMDB. Eles ameaçam uma resistência em conjunto à reforma e o partido, que governa sete Estados, fará reunião de seu conselho político no dia 25 de março para tratar do assunto. Sobre as medidas que o governo federal irá anunciar para tentar conter a queda do dólar, Yeda afirmou que não espera nenhuma modificação no sentido de impor preços, seja dos juros ou da moeda norte-americana. "O que ele pode fazer é incentivar a economia a andar a favor do preço do dólar", indicou, acrescentando que as medidas, desta forma, ficariam no campo da política industrial ou comercial. "Então, não creio em grandes novidades na área."EleiçõesAo abordar a campanha eleitoral municipal, Yeda disse que não irá participar da corrida deste ano. "Este é um ponto crucial de qualquer governante que sabe que governa por coalizão", justificou. A governadora participou hoje de reunião-almoço na Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul), que realiza semanalmente o encontro "Tá na Mesa". Já é tradição do evento receber a visita do governador na primeira reunião do ano, realizada hoje. Acompanhada do vice-governador Paulo Afonso Feijó (DEM), com quem teve atritos antes mesmo de iniciar sua gestão por causa de proposta de aumento de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que se repetiram no ano passado, Yeda considerou que "o calendário de 2007 passou e o de 2008 é novo e promissor".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.