FOTO: WESLEY SANTOS/FOTO ARENA/PAGOS
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Yeda Crusius acusa MPF de armar 'circo político'

Governadora acusou procuradores que pediram seu afastamento de extrapolarem suas funções

Elder Ogliari, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2009 | 18h29

A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), acusou os seis procuradores da República que pediram seu afastamento de terem armado um "circo político" e de extrapolarem suas funções, deixando que eventuais desejos políticos pessoais contaminassem seus papéis de defensores do direito. Também desafiou o Ministério Público Federal a se manifestar, como instituição, sobre os "excessos" que seus integrantes teriam cometido.

 

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As manifestações de Yeda foram feitas nesta quinta-feira, quando a governadora deixou um período de reclusão, no qual despachava do Palácio das Hortênsias, em Canela, e voltou a trabalhar no Palácio Piratini, em Porto Alegre, de onde vai enfrentar a mais grave crise política de seu governo.

 

Na tarde de quarta-feira, os procuradores anunciaram em entrevista coletiva que moveram ação de improbidade administrativa contra Yeda, seu marido Carlos Crusius, sua assessora especial Walna Vilarins Meneses, o ex-secretário geral de governo Delson Martini, o presidente do Tribunal de Contas João Luiz Vargas, o deputado federal José Otávio Germano (PP), os deputados estaduais Frederico Antunes (PP) e Luiz Fernando Záchia (PMDB) e o tesoureiro da campanha do PSDB em 2006 Rubens Bordini.

 

Também informaram que pediram o afastamento de quem exerce cargo público e o bloqueio de bens dos envolvidos. Mas não detalharam as acusações que fizeram contra cada um, alegando que os processos nos quais buscaram informações, referentes a desdobramentos das Operações Rodin e Solidária da Polícia Federal, que apuraram favorecimento em licitações e desvio de verbas públicas, correm em segredo de Justiça. Disseram apenas que os nove demandados participaram de irregularidades como "beneficiários, operadores ou intermediários".

 

Para Yeda, os integrantes do MPF não falaram como promotores, mas como juízes, por usarem termos como "réus" antes mesmo de protocolizarem a ação na Justiça Federal de Santa Maria e antes de a juíza Simone Barbisan Fortes, que vai analisar o caso, se manifestar. A governadora chegou a lembrar que um deles disse que "não haverá moleza para esses réus", referindo-se a parte de uma fala do procurador Adriano Raldi, que foi complementada com a frase "assim como não há para qualquer outro acusado".

 

Yeda afirma nunca ter sido informada do que é acusada e entende que os procuradores exorbitaram de suas funções. "Eles jamais poderiam se comportar como juízes fazendo pré-julgamentos", disparou. A governadora também acusa os integrantes do MPF de usarem o que chama de "técnica da coletiva" para fazer a imprensa falar de irregularidades mesmo que não sejam apresentadas provas. "Em nome de que aventaram a possibilidade de afastamento do cargo?", questiona.

 

Como entende que ficou "tênue" a distância entre o que os procuradores fizeram e o suposto "desejo político" deles, a tucana afirmou que há um aparelhamento das instituições democráticas feito por braços sindicais, partidários ou ideológicos. Disse acreditar, ainda, que, como há uma campanha eleitoral antecipada no Estado, e também no País, os procuradores não podiam tomar posição. Mas evitou comentar se há conexões entre candidatos ou partidos e a ação dos procuradores da República. "Não vou cometer a mesma irresponsabilidade deles e generalizar".

 

Yeda afirmou que, apesar da crise política, vai continuar governando normalmente. "Existe um mundo real, no qual zeramos o déficit, voltamos a investir, atraímos investimentos, e o mundo político, que adquiriu uma forma surreal".

 

Procurado pelo Estado, o MPF do RS não se manifestou, informando que a resposta às acusações de Yeda seria dada pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR).

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