Yeda confronta manifestantes no RS

Sentindo-se impedida de sair de casa com os filhos, governadora foi para o pátio e os acusou de ?torturar crianças?

Elder Ogliari, PORTO ALEGRE, O Estadao de S.Paulo

17 de julho de 2009 | 00h00

Uma manifestação de sindicalistas ligados ao Fórum de Servidores Públicos Estaduais do Rio Grande do Sul (FSPE-RS), formado por dez entidades de funcionários públicos, tumultuou o início do dia da governadora do Rio Grande do Sul , Yeda Crusius (PSDB), ontem, em Porto Alegre. Seis participantes foram detidos e conduzidos à Divisão Judiciária de Investigação, no Palácio da Polícia, e só saíram no início da tarde, depois de prestar depoimento. Como participantes de um "dia de mobilização pelo impeachment de Yeda", os manifestantes se postaram diante das grades da casa da governadora, na zona leste da capital gaúcha, e colocaram uma armação de latão no meio da rua. A montagem simbolizava os contêineres usados pela Secretaria da Educação como salas de aula provisórias em cinco escolas de Porto Alegre e uma de Caxias do Sul que estão em obras de reconstrução ou reforma. Segundo a presidente do Sindicato dos Professores (CPERS), Rejane de Oliveira, o contêiner mostrava o contraste das escolas gaúchas diante da luxuosa casa da governadora. O imóvel comprado pela tucana ao final da campanha política de 2006 é o foco das acusações da oposição, que julga o negócio como irregular. Relatos da CPI do Detran, do PSOL e do empresário Lair Ferst ao Ministério Público Federal indicaram que parte do pagamento teria sido feita "por fora", sem registro no contrato. Yeda afirma que acusadores não apresentaram provas. Como os manifestantes estavam junto às grades do terreno, Yeda, sua filha Tarsila e dois netos da governadora, de 8 e 11 anos, se sentiram impedidos de sair de casa. Irritada, a governadora foi para o pátio e exibiu um cartaz, no qual escreveu "Vocês não são professores. Torturam crianças. Abram alas que as minhas crianças têm aula!" Com ajuda de seguranças da casa, Tarsila e os meninos passaram pelos manifestantes e foram para a escola. Logo depois, Yeda deu uma entrevista à Rádio Gaúcha, de dentro de casa, na qual considerou o ato dos sindicalistas como uma violência. "Homens e mulheres de cabelos brancos, se dizendo professores, na porta de uma casa, sem deixar as crianças saírem, é demais", afirmou. A tucana disse também que está trocando as escolas de lata e que os manifestantes estão desacreditados como lideranças. O Batalhão de Operações Especiais (BOE) foi acionado para acabar com o protesto. Usando escudos e deixando cassetetes à mostra, soldados formaram uma espécie de parede. Seis manifestantes, que teriam desacatado policiais, foram levados à delegacia. Entre eles, estava a presidente Rejane de Oliveira, a vice, Neida Oliveira, e a vereadora Fernanda Melchiona (PSOL), que não precisou prestar depoimento porque comprovou ter chegado quando o tumulto já estava no fim. Ao mesmo tempo em que os sete eram levados à central da polícia, os demais manifestantes foram para a Praça Marechal Deodoro, diante do Palácio Piratini, para o segundo ato do mesmo protesto, no qual não ocorreram incidentes. A manifestação foi mais uma da série que o FSPE/RS organiza contra a governadora. Desta vez, o ato abafou a repercussão que Yeda queria dar ao anúncida duplicação da fábrica da General Motors em Gravataí, com investimento previsto de R$ 2 bilhões.

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