Yeda busca apoio em Brasília e faz de ex-ministro seu advogado

Eduardo Alckmin assume defesa contra acusações de caixa 2 na campanha de 2006

Marcelo de Moraes, O Estadao de S.Paulo

14 de maio de 2009 | 00h00

A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), desembarcou ontem em Brasília em busca de um advogado e de apoio partidário, a fim de tentar desembaraçar o nó político em que se transformou a acusação de corrupção na sua administração e salvar sua candidatura à reeleição em 2010.Logo de manhã, cumpriu o primeiro objetivo, ao contratar o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Eduardo Alckmin, para defendê-la. Yeda e Alckmin reuniram-se por duas horas. Ela lhe entregou uma pasta com documentos que considera suficientes para comprovar a lisura de seu governo.Seu segundo objetivo incluiu a confirmação pública de sua disposição de se candidatar à reeleição e um forte ataque contra os adversários. O mais forte desde o início da crise, provocada pela acusação de supostamente ter recebido R$ 400 mil num esquema de caixa dois para a compra de uma casa.Yeda acusou-os de serem "golpistas" e de tentarem manobrar para que fosse retirada do poder, sem provas para isso. "Certamente esse movimento contra mim é político e é golpista. Não vem de agora. É um movimento que vem desde a minha eleição", afirmou."É que passou do limite. Já está provada a idoneidade da compra da casa da governadora. Provada pelo Ministério Público estadual, pelo Tribunal de Contas do Estado", alegou.Para Yeda, os ataques voltaram com mais intensidade após uma tentativa de equilibrar as contas do governo. "O ajuste de agora, com investimento, torna o Rio Grande do Sul outra vez um grande ator no cenário nacional. Então, é um movimento político nacional, que encontra uma repercussão específica lá no Rio Grande do Sul", disse. Apesar disso, até aliados políticos da governadora admitem que o problema provocou enorme desgaste político em sua imagem. E, consequentemente, nos seus planos de disputar um novo mandato.Por isso, já existem articulações nacionais para uma aliança entre tucanos e o PMDB. A seção gaúcha abriria mão de uma nova eleição de Yeda em favor do apoio à candidatura do prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB).A governadora diz acreditar que Fogaça não será candidato. Porém, foi buscar apoio da direção nacional do PSDB. Não apenas contra as acusações, mas também para a reeleição. Encontrou-se com o presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE). Recebeu apoio à sua causa, mas a decisão sobre sua reeleição será do PSDB gaúcho.Yeda avalia que a campanha para 2010 poderá superar o desgaste das acusações. "O que você tem que fazer até lá, e que estou fazendo, constituindo advogado, não é provar minha inocência. Cada um que se aproximar e tocar na mesma tecla, daqui por diante, juridicamente, quero provar o crime de calúnia dessas pessoas", disse.

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