Yeda anuncia que RS vai zerar déficit este ano

Ao mostrar balanço da gestão, governadora também faz desagravo a secretários que saíram

Sandra Hahn, O Estadao de S.Paulo

18 de novembro de 2008 | 00h00

Ao anunciar ontem que o Estado conseguirá zerar seu déficit neste ano, antecipando a meta programada para 2009, a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), aproveitou o discurso para fazer novo desagravo aos secretários que deixaram a administração após a pior crise política que enfrentou, no começo de junho. Na época, "o governo caiu", disse Yeda, antes de comemorar os resultados do ajuste fiscal.A fórmula que permitiu ao governo prever contas equilibradas ao final do ano contemplou corte de 30% nas despesas de custeio desde 2007, controle da folha de pagamento e medidas para elevar arrecadação, combinadas com crescimento econômico do Estado. No começo do ano, o governo estimava um déficit orçamentário de R$ 600 milhões em 2008. Há cerca de 20 dias, a Fazenda já calculava a redução do déficit para aproximadamente R$ 200 milhões. Em outubro, faltaram R$ 26 milhões para que as contas estivessem no azul. De acordo com a Fazenda, o Estado apresenta déficit há 37 anos.Apenas no ICMS, a arrecadação gaúcha cresceu de janeiro a outubro, em comparação com o mesmo período de 2007, 23,5% em termos nominais e 17% reais (descontada a inflação). O secretário da pasta, Aod Cunha de Moraes Júnior, reconheceu que o aumento da arrecadação ajudou no esforço fiscal do governo, mas ressaltou que a redução de despesas superou as metas fixadas em 2007 e 2008.Junto com o cumprimento da meta orçamentária antes do esperado, a governadora informou que o Estado terá condições de pagar, de forma antecipada, o 13º salário do funcionalismo com recursos próprios, sem precisar de empréstimo do Banrisul, fórmula adotada por seu antecessor, Germano Rigotto (PMDB), que financiou parte da necessidade com o banco estadual.IMPOSTOS"Hoje o Rio Grande do Sul pode comemorar um Estado equilibrado", afirmou Yeda, acompanhada, na platéia, pelo presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, que viajou ao Estado para o evento, junto com outros dirigentes tucanos.Antecipando-se às eventuais críticas por ter tentado duas vezes elevar impostos dentro do esforço de ajuste fiscal, Yeda disse que, se as alíquotas tivessem sido elevadas, como pretendia, "não teria sido necessário atrasar os salários dos servidores do Executivo".Ao lamentar a saída de assessores "que se viram forçados" a deixar o governo, aos quais dirigiu agradecimento especial, disse sentir "imensa falta deles". Em junho, uma crise foi deflagrada por conversa gravada pelo vice-governador Paulo Afonso Feijó (DEM) com o então chefe da Casa Civil, Cezar Busatto (PPS), tornada pública em sessão da CPI do Detran. Na conversa, Busatto abordava o financiamento de campanhas com uso de estatais. Na própria CPI, disse ter sido "impreciso".

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