Yale desiste de ação contra jornalista do 'Estado'

Com a desistência, tribunal local determinou que seja imediatamente apagado o registro policial sobre a prisão da repórter, ocorrida em 28 de setembro

O Estado de S. Paulo

04 de outubro de 2013 | 19h51

A Universidade Yale e a Promotoria de New Haven, no Estado americano de Connecticut, desistiram nesta sexta-feira, 4, de levar adiante suas acusações contra a jornalista Cláudia Trevisan, correspondente do Estado em Washington , por suposta invasão de propriedade privada. Diante dessas novas decisões, o tribunal local determinou que seja imediatamente apagado o registro policial sobre a prisão da repórter, ocorrida em 28 de setembro.

"Com a decisão do tribunal, posso deixar o incidente para trás e focar no meu trabalho como jornalista", afirmou Cláudia Trevisan, ao comentar o desfecho do episódio. "Quero deixar de ser notícia e voltar a cobrir notícias. Há coisas mais absurdas do que a minha prisão ocorrendo nos Estados Unidos, como o fechamento do governo federal e o risco de suspensão de pagamento da dívida."

A jornalista recebeu voz de prisão quando tentava localizar, na Universidade Yale, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa. O magistrado brasileiro participaria do Seminário Constitucionalismo Global 2013, no Woolsey Hall, um auditório de propriedade de Yale. Cláudia havia antecipadamente conversado sobre sua missão de abordar Barbosa com o próprio presidente ministro e com a diretora de Comunicações da Escola de Direito, Janet Conroy, a quem afirmara que esperaria o final do evento na calçada.

Ao ingressar no Woolsey Hall para checar com um policial se o evento se daria ali, a jornalista teve seu passaporte apreendido pelo agente e recebeu voz de prisão. Claudia foi algemada, com as mãos nas costas, e mantida dentro de um carro policial por uma hora. Depois, foi transportada à delegacia de polícia de New Haven, onde permaneceu por quase quatro horas em uma cela, sem o direito de se comunicar com ninguém. Ela foi liberada graças ao empenho do Itamaraty, em especial da embaixada brasileira em Washington e do consulado em Hartford.

Carta oficial. Segundo o advogado Stephan Nevas, defensor de Claudia e professor de Direito da Universidade de Connecticut, nada mais consta na polícia e no tribunal de New Haven contra a correspondente. Como resultado de suas conversas com o reitor da Faculdade de Direito e com o Conselho Geral da Universidade Yale, o pedido de retirada de queixa contra a jornalista foi registrado em carta ao tribunal. A promotoria fez o mesmo.

"Claudia agiu como um bom jornalista deve agir", afirmou Nevas, após o desfecho do caso. "Ela não tentou entrar na sala da conferência, como foi acusada, e apenas pretendia esperar o ministro brasileiro do lado de fora do prédio."

Tudo o que sabemos sobre:
Cláudia TrevisanYaleJoaquim Barbosa

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.