Nelson Perez
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Witzel, o 'carioquismo' de um paulista

Nascido em Jundiaí, ex-juiz busca se associar ao carnaval em contraposição a Bolsonaro e Crivella

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2020 | 05h00

Paulista de Jundiaí, o governador do Rio, Wilson Witzel, tem tentado incorporar um “jeito carioca de ser”. A cerca de um mês do carnaval, por exemplo, Witzel abraçou – simbólica e financeiramente – as escolas de samba, em movimento contrário aos do prefeito Marcelo Crivella e do presidente Jair Bolsonaro. Rivais do governador, o prefeito e o presidente são avessos à folia.

Eleito na esteira da onda conservadora e bolsonarista, Witzel busca, agora, se desvencilhar de Bolsonaro. A aparência sisuda de ex-juiz e de quem já defendeu o “abatimento” de criminosos vai de encontro a esse aceno ao “carioquismo”. Em relação ao carnaval, o governador articulou para o Estado assumir o controle da festa na Sapucaí – até então vinculada à prefeitura – e anunciou a novidade, com euforia, antes mesmo da confirmação oficial.

Witzel tem dado ideias para o formato dos desfiles, como a “distribuição” da festa em mais de um fim de semana. Aproveitando a abertura, escolas de samba o procuram para buscar recursos.

A situação financeira para este ano é considerada crítica pelas agremiações. Sob Crivella, os desfiles agonizavam, já que são mais dependentes de dinheiro público do que o carnaval de rua, majoritariamente “gerenciado” por empresas privadas.

Além do carnaval, o governador tenta, desde o início do mandato, associar sua imagem ao futebol – em especial ao Flamengo, que vive uma boa fase e é o time mais popular do País.

Durante a campanha eleitoral de 2018, Witzel se declarou corintiano e disse que tinha como ídolo o ex-jogador Sócrates, que marcou o grupo conhecido como Democracia Corintiana no início da década de 1980.

Agora, além de já ter aparecido no gramado do Maracanã e de usar com frequência o camarote do governo no estádio – inclusive levando vários convidados políticos –, Witzel protagonizou episódios curiosos, como a atitude de se ajoelhar diante de Gabigol, ídolo da conquista da Libertadores pelo clube, após o título. O artilheiro ignorou o governador, e a cena viralizou.

No dia seguinte à conquista, quando o elenco rubro-negro desfilou pela Avenida Presidente Vargas, no centro do Rio, em meio a uma multidão de torcedores, Witzel voltou a aparecer. Em diversos momentos, fez questão de ir para a frente do trio elétrico, onde estavam apenas jogadores e comissão técnica.

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