Weslian incorpora o 'jeito Roriz de ser'

Pouco articulada, a mulher do ex-candidato foi vítima de si mesma no debate

Carol Pires, do estadão.com.br

29 de setembro de 2010 | 18h16

BRASÍLIA - Calcada no slogan de que trará de volta a Brasília "o jeito Roriz de governar", Weslian Roriz (PSC) tem mostrado - tanto no seu primeiro debate quanto nos comícios pelas cidades satélites - que tem também o mesmo "DNA Roriz" de fazer campanha.

 

"Eu enfrentei o maior sacrifício da minha vida", disse, em discurso em Luziânia, nesta quarta-feira, ao relatar a experiência no debate entre os candidatos ao governo do Distrito Federal, na Rede Globo, ontem. "Parecia que eu estava indo para a forca defender o meu marido. É muito cruel o que estão fazendo com ele", completou Weslian, substituta de Roriz, barrado pela lei da Ficha Limpa.

 

Pouco articulada, Weslian foi vítima de si mesma no debate. Sem a oratória e a desenvoltura do marido, ex-governador por quatro mandatos, ainda assim tentou incorporar o "jeito Roriz de debater". Nos momentos que sentiu-se acuada, caiu com um "tudo tem sua hora e vamos fazer" - mesmo subterfúgio usado por Roriz quando não quer se comprometer ou não encontra respostas.

 

Ela seguiu orientação pela campanha do marido e também adotou estratégia de criticar o PT, principal partido adversário da campanha rorizista, sem precisar polarizar o debate com Agnelo Queiroz, candidato líder nas pesquisas. Em duas ofensivas, ela se reportou ao candidato Toninho do PSOL, ex-petista

 

Apesar de ter dito no horário eleitoral que Weslian seria "teleguiada" pelo marido caso eleita, no encontro nos estúdios da Rede Globo, Toninho de fato foi mais afável: "Eu não faço crítica ao fato da senhora estar aqui substituindo Joaquim Roriz, esse não é o problema. O nosso problema são as divergências que temos sobre os projetos para o DF".

 

"Ao mirar no Toninho ela tem a intenção de, como o Roriz fez nos debates passados, achar um interlocutor que é educado, não vai agredir ninguém. Roriz também só perguntava ao Toninho nos debates que participou", avaliou a mulher de Toninho, a candidata a deputada distrial Maninha (PSOL).

 

Católica fervorosa, Weslian também partiu para cima do PT, acusando o partido de defender o aborto - uma das principais censuras feitas pelo ex-governador ao partido que ajudou a fundar em Goiás, em 1986. Na última entrevista como candidato, Roriz havia dito que Agnelo é ex-comunista, que comunistas não acreditam em Deus e por isso são a favor do aborto.

 

Weslian chegou ao debate com a mesma teoria do marido na manga, e, ansiosa para usá-la, acabou inquirindo o adversário no espaço em que deveria responder sobre políticas para o transporte público na cidade. "Eu gostaria de dizer o senhor o seguinte: o senhor foi do Partido Comunista, que não acredita em Deus, e agora está no PT. O senhor é a favor ou contra o aborto?".

 

Apesar da pergunta feita fora de hora, que na hora soou como mais um erro da candidata, fez Agnelo recuar no bloco seguinte, usando um dos seus espaços para esclarecer que era cristão e contrário ao aborto.

 

A avaliação da campanha de Weslian é que, por ter sido seu primeiro debate, sem nenhuma experiência política, a candidata conseguiu cumprir o papel, até mesmo desconcertando Agnelo com a questão do aborto. A melhor resposta dela, para os aliados, foi quando prometeu fazer um governo livre de corrupção. Para as campanhas adversárias, no entanto, a participação de Weslian deixou claro que ela é despreparada, sem nem mesmo precisar que os outros candidatos apontassem isso.

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