Webinar discute impactos políticos na pandemia

Evento organizado pela FGV terá participação de cientistas políticos como Carlos Pereira e Sérgio Abranches e jornalistas do Estadão

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2020 | 05h00

O auxílio emergencial produziu contradições na política: eleitores críticos ao presidente Jair Bolsonaro, principalmente de esquerda, tendem a deixar de apoiar a política de transferência de renda quando associada a possíveis lucros eleitorais do mandatário. Esta é a conclusão de uma pesquisa de opinião que será a base de debate virtual promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) que acontece nesta quinta-feira, 17, às 10h. O encontro é transmitido no canal de Youtube da instituição.

O webinar discutirá os impactos da política no controle da pandemia. Participam da conversa Carlos Pereira, professor titular da FGV EBAPE e colunista do Estadão; Luciana Veiga, professora associada da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e presidente da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP); Sérgio Abranches, sociólogo e escritor, Pedro Doria, colunista do Estadão e editor do Meio; e Marcus André Melo, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O debate será mediado por Marcelo Godoy, repórter especial do Estadão.

Pereira é um dos autores da pesquisa descrita acima, realizada pela FGV em parceria com o Estadão ao longo da pandemia, que também pretende medir o impacto político da crise do novo coronavírus. Nesta terceira rodada, o questionário foi aplicado entre os dias 21/10 e 10/11 com perguntas sobre o isolamento social, vacina e auxílio emergencial.

O professor explica que, nesta edição, os pesquisadores decidiram fazer um experimento no trecho sobre o auxílio. Distribuíram os entrevistados em dois grupos: o grupo controle recebeu um texto técnico sobre o auxílio ilustrado por uma foto de beneficiários em fila para acessar uma agência da Caixa; o outro, chamado tratamento, recebeu uma frase de Bolsonaro dizendo que o Renda Cidadã iria “varrer o PT do Nordeste” com uma foto do presidente montado a cavalo e vestindo chapéu de couro.

Os entrevistados que diziam apoiar Bolsonaro e entraram no grupo tratamento se mostraram muito mais favoráveis ao auxílio. “Quando percebem que (o presidente) pode ter ganhos eleitorais com o auxílio, o apoio aumenta”, explica Pereira. Por outro lado, continua o professor, eleitores de esquerda que desaprovam o governo, quando apresentados ao material do grupo tratamento, tendiam a rejeitar a distribuição do auxílio, “traindo”, assim, as próprias opiniões políticas para se manter contrários ao presidente.

Além disso, Pereira diz que foi detectada uma queda no apoio ao isolamento, apesar dos respondentes terem afirmado acreditar na eficácia do método para controlar a disseminação do vírus. “(A queda) nos leva a crer que as pessoas diminuíram o seu compromisso com o isolamento por uma questão de cansaço e pelas políticas públicas de flexibilização do lockdown”, diz.

Quanto à vacina, quase 90% dos eleitores que melhor avaliam o governo se mostraram contrários à obrigatoriedade da aplicação, ao passo que 85% dos entrevistados que criticam a condução do governo federal são favoráveis à obrigatoriedade.

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