GABRIELA BILÓ/ESTADÃO
GABRIELA BILÓ/ESTADÃO

Wassef diz que Queiroz seria assassinado e que tentariam incriminar família Bolsonaro

Em entrevista à revista 'Veja', ex-advogado do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) disse que ofereceu endereços para o ex-assessor e insiste que agiu dentro da lei

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2020 | 08h40

Ex-advogado do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Frederick Wassef afirmou que abriu as portas de sua residência em Atibaia, no interior de São Paulo, a Fabrício Queiroz após receber informações de que o ex-assessor seria assassinado. Em entrevista à revista Veja, publicada em sua versão online nesta sexta-feira, 26, Wassef disse que tinha informações sobre um possível atentado contra Queiroz, e que a família Bolsonaro seria responsabilizada pelo crime.

Segundo afirmou à publicação, Wassef teria sido informado de que havia um plano traçado para matar Queiroz e culpar os Bolsonaros pelo crime. O advogado disse ainda que considera que salvou a vida do ex-assessor.

"Eu tinha a minha mais absoluta convicção de que ele seria executado no Rio de Janeiro. Além de terem chegado a mim essas informações, eu tive certeza absoluta de que quem estivesse por trás desse homicídio, dessa execução, iria colocar isso na conta da família Bolsonaro", disse.

Wassef disse que a morte do ex-assessor seria parte de uma fraude, comparando ao depoimento do porteiro do condomínio do presidente no caso Marielle. "Algo parecido com o que tentaram fazer no caso Marielle, com aquela história do porteiro que mentiu.". Ele também afirma que omitiu do presidente e do filho 01 a trama e o paradeiro do ex-assessor.

Além do possível crime, Wassef também afirmou que ficou sensibilizado com o estado de saúde de Queiroz e o momento vivido pelo ex-assessor do senador. Sem revelar se ofereceu ajuda ou se foi procurado, o advogado disse que "fez chegar ao conhecimento" de Queiroz que estava disponibilizando três endereços para ele ficar: a casa de Atibaia, uma casa em São Paulo e outra no litoral. Ele se negou a dizer se manteve contato com Queiroz durante o período.

Modulações de discurso

A prisão de Fabrício Queiroz aconteceu no dia 18 de junho, na quinta-feira da semana passada. Desde o momento da prisão, Wassef se pronunciou algumas vezes sobre o fato do ex-PM ter sido encontrado em sua residência, acrescentando detalhes e mudando de discurso em cada uma delas.

No dia 20 de junho, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Wassef negou ter escondido Queiroz em seu escritório em Atibaia. O advogado também afirmou nunca ter trocado mensagens ou telefonado para Queiroz e alegou ser vítima de uma armação. "Isso é uma armação para incriminar o presidente". Ele também afirmou que o escritório estava em obras e não disse saber da presença do exz-PM no local.

No dia 22 de junho, em entrevista ao jornal SBT Brasil, ele voltou a negar que tenha "escondido" Queiroz em sua residência, no entanto, admitiu saber de sua presença no local, inclusive negando a existência de crime por abrigá-lo. Questionado se ofereceu abrigo ao ex-assessor por uma questão humanitária, o advogado confirmou. "Também foi uma questão humanitária. Porque uma pessoa que está abandonada, uma pessoa sem recursos financeiros, uma pessoa com problemas de saúde e que o local era perto".

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