Hélvio Romero|Estadão
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Walter Torre: Trajetória de empreendedor tem marcas de ousadia e controvérsia

Alvo da Operação Abismo, 31.ª fase da Lava Jato, empresário é dono da 22.ª construtora no ranking das maiores do País, a WTorre, que, recentemente, teve de vender ativos para se reorganizar

Marina Gazzoni, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2016 | 05h00

O empresário Walter Torre Júnior, de 60 anos, alvo da Operação Abismo, 31.ª fase da Lava Jato, é dono da 22.ª construtora no ranking das maiores do País, a WTorre, que faturou R$ 818 milhões em 2014, último dado disponível. Com uma trajetória marcada por ousadia e controvérsias, a empresa de Torre tem no seu portfólio a construção de grandes obras, como o estádio do Palmeiras e o complexo imobiliário que reúne o shopping JK Iguatemi e a torre comercial do Santander. Pressionada pelo alto endividamento e redução de receitas, a empresa teve de vender ativos e se reorganizar recentemente.

Empreendedor desde os 16 anos, Walter Torre criou, em 1981, a WTorre, focada em projetos de galpões industriais para locação. Com um ônibus velho, Torre percorria o Estado de São Paulo em busca de fábricas abandonadas para reformar e alugar. O modelo de negócios evoluiu para o chamado “built to suit”, que é basicamente construir projetos industriais e corporativos sob medida para clientes.

Sua trajetória foi marcada por polêmicas com sócios e órgãos públicos e seus negócios tiveram altos e baixos. Em 2006, pagou R$ 385 milhões em um terreno na Marginal do Pinheiros, considerado um vexame do mercado imobiliário por ter uma obra abandonada da Eletropaulo. No endereço, ergueu a torre do Santander, vendida por R$ 1 bilhão ao banco em 2008, e o shopping JK Iguatemi, cuja participação da WTorre, de 50%, foi vendida por R$ 640 milhões em 2014. A inauguração do shopping foi adiada porque o empreendimento não conseguiu aval da Prefeitura de São Paulo, que cobrava a entrega de obras de compensação no trânsito, que deveriam ser feitas pela WTorre.

Outro projeto que gerou burburinho foi a construção do Allianz Parque, o estádio do Palmeiras. O contrato foi marcado por divergências entre o clube e a construtora, especialmente sobre a divisão das receitas da venda de ingressos nos dias de jogos. Em fevereiro, a WTorre rescindiu o contrato com o grupo americano AEG, sob a acusação de que o parceiro não trouxe patrocinadores.

Mesmo antes de ter seu nome diretamente envolvido na Lava Jato, a empresa de Torre já vinha sofrendo com a crise econômica. Em 2014, sua receita líquida caiu 31% e a empresa teve prejuízo líquido e geração de caixa negativa. No início do ano, fornecedores cobraram dívidas em cartório e chegaram a pedir a sua falência. Para reequilibrar suas finanças, a WTorre vendeu ativos, como parte da fatia que detinha na BR Properties.

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