Waldomiro nega que tenha indicado Buratti para Gtech

O ex-assessor do Palácio do Planalto Waldomiro Diniz negou hoje que tenha indicado o consultor Rogério Buratti para intermediar a assinatura da renovação de contrato entre a multinacional Gtech e a Caixa Econômica Federal para operação de loterias. Por meio do seu advogado, Luiz Guilherme Vieira, Waldomiro mandou uma declaração sobre o episódio. ?Não indiquei, não conheço e nunca ouvi falar nesse senhor (Buratti)?, afirmou. O contrato entre a Caixa e a Gtech foi renovado em abril de 2003, por 25 meses, e renderá à multinacional mais de R$ 600 milhões de comissão. Buratti foi secretário de governo de Ribeirão Preto em 1993, quando era prefeito o atual ministro da Fazenda, Antônio Palocci. Por meio de sua assessoria, o ministro disse que demitiu Buratti em 1994, após denúncias que o envolviam com irregularidades na distribuição de obras públicas. Desde então, conforme a assessoria, os dois estão afastado e não voltaram a trabalhar juntos. Em depoimento à Polícia Federal, o ex-presidente da empresa, Antônio Carlos Rocha e o diretor de marketing, Marcelo Rovai, acusaram Waldomiro de ter condicionado o negócio à contratação de Buratti como consultor, por uma comissão entre R$ 15 e 20 milhões, baixada depois para R$ 6 milhões, 1% do total. Segundo os depoentes, Waldomiro teria chantageado a empresa em várias ocasiões, dando a entender que o contrato não seria assinado se não fosse fechado o acerto com o consultor. Luiz Guilherme queixou-se pela da conduta do delegado César Nunes, da Polícia Federal, à frente do inquérito. Ele disse que, após três tentativas frustradas, não conseguiu até agora cópias dos depoimentos dos dirigentes da Gtech. Reclamou também de não ter tido acesso a outras peças da investigação, o que fere o seu direito de defensor e prejudica a defesa.

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