Waldomiro nega desvio de dinheiro da Loterj

O ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil Waldomiro Diniz colocou em dúvida hoje, em depoimento do Ministério Público Estadual, a possibilidade de terem acontecido desvios de R$ 50 mil a R$ 100 mil do pagamento de outdoors pela Loterj durante sua gestão na presidência da autarquia, em 2001 e 2002. Segundo Waldomiro disse à promotora Dora Beatriz Wilson da Costa, essas quantias eram muito próximas dos valores pagos pelas campanhas publicitárias, o que tornaria impossível que o crime fosse cometido sem ser detectado. De acordo com a denúncia do assessor parlamentar Jorge Dias, parte dos cartazes pagos não eram instalados, e a quantia correspondente era repassada aos pastores Carlos Rodrigues (ex-bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e deputado federal pelo PL-RJ), Valdeci de Paiva (deputado que foi assassinado, em crime até hoje não-esclarecido) e João Domingos (ex-subchefe da Secretaria Estadual do Gabinete Civil no governo de Anthony Garotinho). Da fraude, participaria, segundo a acusação, a empresa Job Niterói, subcontratada da agência Giovanni. Todos os acusados negam ter participado ou se beneficiado das supostas irregularidades. "É muito fácil detectar se houve desvio, é só pegar a contabilidade da Loterj na época", declarou a promotora à Agência Estado. Com relação às denúncias da existência de servidores-fantasma durante sua gestão na autarquia, Waldomiro disse que é "muito comum" que funcionários sejam contratados por um órgão público e deslocados para outro. Mais uma vez, o ex-presidente da Loterj negou ter sido indicado para o cargo pelo deputado Rodrigues e afirmou que foi o então governador e atual Secretário de Segurança Pública, Anthony Garotinho (hoje no PMDB), que o convidou. Garotinho repete que Waldomiro foi indicado para o posto pelo hoje ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. O depoimento de Waldomiro foi das 10h às 11h, em sigilo, a pedido dos seus advogados. Com ele, a promotora encerrou o procedimento investigatório que corria no Ministério Público Estadual para investigar as supostas irregularidades administrativas na Loterj durante a gestão de Waldomiro e requereu a instalação de inquérito policial na 1ª DP (Praça Mauá), para concluir as investigações. "Eu poderia oferecer denúncia ou arquivar o procedimento, mas seria prematuro fazê-lo sem a materialidade", disse a promotora.

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