Waldomiro é indiciado por prevaricação na Loterj

O ex-subsecretário de Assuntos Parlamentares do Palácio do Planalto Waldomiro Diniz reapareceu, depois de quase 20 dias de sumiço, para prestar depoimentos em dois inquéritos na Polícia Federal. Ao final de mais de três horas de interrogatório, o ex-assessor foi indiciado por prevaricação, sob a acusação de ter facilitado a sonegação de impostos de casas de bingos quando era presidente da Loterj, entre 2001 e 2002.Diniz não respondeu a nenhuma das perguntas feitas pela PF, preferindo manter-se em silêncio e determinado a só se manifestar em juízo. Mas, pela primeira vez desde que estourou o escândalo em que ele é acusado de envolvimento com o bicheiro Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o ex-assessor da Casa Civil falou, em rápida entrevista, à saída dos depoimentos. ?Neste momento, sou o maior interessado em buscar a verdade. Estou confiante na Justiça brasileira e nas investigações que estão sendo desenvolvidas?, afirmou.O ex-assessor chegou pontualmente às 16 horas na superintendência da Polícia Federal, onde permaneceu por três horas. O delegado Antônio César Nunes, que apura o envolvimento de Diniz com Cachoeira, fez 65 perguntas - 50 da PF e 15 de procuradores da República - mas o ex-assessor se recusou a responder. Em uma hora de interrogatório, Waldomiro só demonstrou descontração por alguns segundos, quando o delegado lhe perguntou qual era sua profissão. ?Sou funcionário público?, disse, com um leve sorriso no rosto.Neste inquérito, a Polícia Federal tecnicamente também pode indiciar Waldomiro Diniz por improbidade administrativa ou por crime eleitoral,já que as fitas divulgadas pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira - onde ele aparece pedindo doação de campanha e supostamente cobrando propina - são provas de seu envolvimento com o bicheiro. Mas, por enquanto, a PF não deverá tomar esta medida esperando que Waldomiro decida contar tudo que sabe. Enquanto estava na PF, Waldomiro recebeu de um advogado da Advocacia Geral da União (AGU) uma intimação para depor dia 12 na Comissão de Sindicância da Palácio do Planalto. Também no dia 16 está previsto outro depoimento: ao delegado Alfredo Junqueira, da PF, responsável por um inquérito pedido pelo próprio Waldomiro, em julho do ano passado, no qual ele acusa a revista IstoÉ de crime contra sua honra. Na ocasião, a revista publicou as primeiras denúncias de irregularidades praticadas por Waldomiro Diniz.

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