Waldomiro diz que defendia Tribunal de Contas

O ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil, Waldomiro Diniz, afirmou em seu depoimento à CPI da Loterj na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) que a conversa que manteve com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, reproduzida pela revista Época na edição de 16 de fevereiro de 2004, tinha intenção de defender o edital de exploração de loterias no Rio aprovado pelo Tribunal de Contas do Estado."O edital não poderia ser alterado porque já tinha sido aprovado pelo Tribunal de Contas. Eu, como presidente da Loterj, não poderia ir contra o Tribunal", afirmou, ao assegurar que defendia a exploração de jogos apenas via internet, conforme estabelecia o edital de licitação, e não os jogos por telefone, como queria Cachoeira. A reprodução da conversa indica, porém, que Diniz tentava encontrar uma forma de alterar a licitação já aprovada então pelo Tribunal de Contas do Rio de Janeiro.Negociação em nome de amigoWaldomiro Diniz atribuiu também a conversa gravada com o bicheiro Carlos Cachoeira a uma negociação que estaria fazendo em nome do amigo Armando Dili, que morreu em dezembro de 2002. Dili trabalhava na Loterj, recebendo em média R$ 10 mil, mas foi trabalhar com Cachoeira para ganhar o triplo. Diniz diz que indicou Dili a Cachoeira por ele ser um "bom profissional de marketing, especializado em loteria instantânea". Waldomiro Diniz disse que nos cerca de seis meses em que Dili se manteve trabalhando para Cachoeira, "não houve regularidade no pagamento", o que o levou a negociar com o bicheiro para garantir que o amigo "não passasse dificuldades financeiras". Ele afirmou que o 1% de participação na Loterj era para garantir o salário do amigo. "Cometi o pecado de tentar ajudar um amigo e cometi o erro de não ter deixado isso bem claro naquela reunião", disse. Ainda segundo ele, Cachoeria teria dito a Dili que gostaria de conversar com Diniz sobre esta possibilidade da porcentagem. "Peça ao Diniz para vir falar comigo sobre esta possibilidade", teria dito Cachoeira a Dili, segundo Waldomiro Diniz. "Foi um roteiro de conversa pré-estabelecido", argumentou em depoimento à CPI da Loterj hoje na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro.

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