Waldomiro Diniz será indiciado pela Polícia Federal

O ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil Waldomiro Diniz será indiciado pela Polícia Federal por corrupção passiva e concussão - extorsão feita por funcionário público - por tentar intermediar a consultoria do empresário Rogério Buratti na renegociação do contrato Caixa Econômica Federal (CEF) com a empresa Gtech, para fornecimento de equipamentos lotéricos. A PF também vai investigar e pedir a quebra de sigilos bancários, telefônicos e fiscais das empresas de Buratti, que foi secretário de governo do então prefeito de Ribeirão Preto, Antônio Palocci, hoje ministro da Fazenda."Já há indícios fortes de que ele (Diniz) praticou os crimes", confirmou o delegado Antônio César Nunes, presidente do inquérito em que o ex-assessor palaciano é acusado de ter recebido propina do suposto bicheiro Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e que também investiga o contrato da Caixa e Gtech, de R$ 780 milhões. Diniz é apontado como intermediário nas negociações, onde Buratti, segundo depoimentos de executivos da empresa, teria sido indicado pelo ex-assessor do Palácio do Planalto como consultor. Nesta terça-feira, a PF vai ouvir depoimentos de três diretores da Caixa que negociaram o contrato.Com os depoimentos do ex-presidente da Gtech Antônio Carlos Lino Rocha, e do diretor de marketing da empresa, Marcelo Rovai, a PF tem praticamente certeza da tentativa de influência de Diniz na negociação. Segundo os executivos, o ex-assessor teria exigido, de forma velada, a contratação de Buratti, um negócio em torno de R$ 6 milhões. Segundo as investigações da PF, a Gtech não teria aceito os trabalhos de Buratti, o que irritou profundamente o ex-assessor da Casa Civil. "Ele teria saído bruscamente da sala onde estava reunido com os executivos da empresa", contou um dos depoentes à PF. A apuração mostrou que, enquanto estavam sendo feitas negociações envolvendo as empresas de Buratti, o contrato não foi renovado. Inclusive, no dia em que ficou acertada a renegociação do contrato, executivos da Gtech receberam telefonemas do empresário e Diniz.

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