Waldomiro anda bem-humorado e já não se esconde

Pivô do maior escândalo do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, divulgado em 13 de fevereiro, o ex-assessor do Palácio do Planalto Waldomiro Diniz tem passado seus dias descontraidamente em Brasília. Demonstrando bom humor, Waldomiro já não se esconde mais dentro de casa, como fez nos primeiros dias que se seguiram à explosão do escândalo. Ontem, saiu de seu apartamento, no Plano Piloto, em Brasília, tranqüilamente. Se assim desejar, Waldomiro pode até viajar, inclusive para o exterior. Mesmo tendo confirmado que pediu propina para campanhas eleitorais e para ele próprio, o ex-assessor ainda não foi atingido por medidas restritivas da Justiça. Por enquanto, sofreu apenas a quebra de seu sigilo no período em que foi presidente da Loterj, a loteria do Rio de Janeiro. A lentidão nas investigações é criticada não só pela oposição ao governo no Congresso, mas também nos meios jurídicos. Ex-procurador-geral da República, o advogado Aristides Junqueira critica a demora na condução do caso Waldomiro e diz que há tentativa de desviar o foco do ato de corrupção para a atuação de integrantes do Ministério Público Federal. "O que me parece é que estão desviando a atenção para outros assuntos, quando o principal, que é a corrupção, fica em segundo plano", disse. "Fica-se discutindo se um procurador podia ou não fazer isso ou aquilo, querendo transformar o MP por inteiro em vilão, quando o vilão é o outro. Essa dispersão parece que faz retardar um pouco essa Justiça que já é lenta." Na opinião do advogado, Waldomiro já deveria ter sido denunciado à Justiça por corrupção. "Já estamos em abril e o caso surgiu em fevereiro", ressaltou. Nem mesmo o ex-assessor foi indiciado pela PF, apesar de haver motivos suficientes. Mesmo assim, Aristides Junqueira não acredita que há razão para levar Waldomiro à prisão. "Para decretar prisão preventiva, que é algo excepcional, precisa ver se há indícios de que ele fugiria", disse. Waldomiro só foi denunciado até agora por ter, supostamente, influenciado na renovação do contrato entre a Caixa Econômica Federal e a empresa Gtech. O inquérito foi suspenso até que a Justiça Federal decida se aceita ou não a denúncia. As investigações só serão reiniciadas se a decisão for pelo indeferimento. Caso contrário, a apuração sobre Waldomiro fica encerrada definitivamente. Novo inquéritoOs demais fatos - recebimento de propina e tráfico de influência no período em que esteve no governo - não estão na denúncia do procurador regional Marcelo Serra Azul. "Com a atitude do Ministério Público, a Polícia Federal não tem como investigar", defende-se o delegado Antônio César Nunes, que preside o inquérito. A PF estuda a possibilidade de abrir novo inquérito ou utilizar um outro já instaurado a pedido do próprio Waldomiro, no ano passado. O ex-assessor alegou que teve sua honra atingida ao ser acusado, em uma reportagem, de ter ligação com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato, também criticou a demora na apuração das suspeitas de corrupção. "Eu acho que realmente está havendo lentidão. Lentidão, pelo menos, na demonstração de quais medidas que o governo implementou, quais medidas estão aplicando a Polícia Federal e os órgãos governamentais que detêm essa apuração sob sua responsabilidade", afirmou. "Toda vez que se fala em Waldomiro se procura desviar a atenção para outro lado da questão. Então, a população continua insatisfeita com relação aos rumos tomados; não se tem posição nenhuma em relação à Polícia Federal, não se tem posição nenhuma em relação à sindicância que foi instalada dentro do Palácio do Planalto."

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