Luis Macedo | Câmara dos Deputados
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Waldir Maranhão, que assume presidência da Câmara, também é investigado na Lava Jato

Deputado do PP do Maranhão, aliado de Cunha, se reúne com assessores para avaliar próximos passos na Casa

Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

05 de maio de 2016 | 10h18

BRASÍLIA - Os constrangimentos de ter um presidente da Câmara dos Deputados investigado vão continuar com Waldir Maranhão (PP-MA), que assumiu a presidência da Casa interinamente nesta quinta-feira, após o Supremo Tribunal Federal (STF) afastar Eduardo Cunha do mandato parlamentar e, consequentemente, do comando da Câmara. Assim como o peemedebista, de quem é aliado, Maranhão é investigado pela Operação Lava Jato.

 De acordo com as investigações, o doleiro Alberto Yousseff, condenado por lavagem de dinheiro e investigado por outros crimes na Lava Jato, afirmou que Waldir Maranhão foi um dos políticos do PP que receberam dinheiro por meio de uma empresa usada pelo doleiro para distribuir propina oriunda de contratos da Petrobrás. O presidente interino da Câmara, contudo, ainda não se tornou réu, como Cunha.

Além da investigação da Lava Jato, Maranhão também é alvo de outros dois inquéritos que tramitam no STF, nos quais é acusado de crimes como lavagem de dinheiro ou ocultação de bens, direitos ou valores. O deputado do PP também traz no currículo outros questionamentos na Justiça Eleitoral. Ele teve suas contas de campanha de 2010 para deputado rejeitadas pelo Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA). 

Perfil. Médico veterinário de formação, Maranhão está em seu terceiro mandato consecutivo de deputado. Ele se filiou ao PP em 2007. Antes, foi filiado ao PDT (1985 a 1986), duas vezes ao PSB (1986 a 1988 e 2005 a 2007) e ao PTB (1988 a 2005). No primeiro mandato de deputado, licenciou-se para assumir o cargo de secretário Estadual de Ciência e Tecnologia do Maranhão na gestão de Roseana Sarney (PMDB), entre maio de 2009 e abril de 2010.

No ano passado, Maranhão foi eleito vice-presidente da Câmara com apoio de Eduardo Cunha. Na votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff no dia 17 de abril, contudo, os dois estiveram em lados opostos. O deputado do PP começou declarando voto a favor do impeachment, mas, dias antes da votação, mudou de lado e passou a apoiar Dilma. Na hora de anunciar seu voto, contudo, reiterou sua lealdade a Eduardo Cunha.

Maranhão também foi responsável por uma série de decisões que favoreceram Cunha no processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética que pode levar à cassação do peemedebista. Na última, ele limitou a investigação do colegiado à suposta existência de contas bancárias não declaradas no exterior pertencentes a Cunha.

Dessa forma, Waldir Maranhão decidiu que o Conselho de Ética não poderá investigar o presidente da Câmara afastado por suspeitas de recebimento de propina, conforme acusam delatores ouvidos pela força-tarefa da Operação Lava Jato. Cunha nega todas as acusações: tanto de ter contas secretas quanto de recebimento de propina. 

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