Reprodução / Twitter
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Wajngarten reage a assalto e persegue suspeito em SP: 'Não quis dar uma de rambo'

Secretário-executivo do Ministério das Comunicações disse que assaltante tentou levar seu relógio e fugiu depois que ele sacou uma arma

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2020 | 19h51
Atualizado 06 de agosto de 2020 | 23h13

O secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Fábio Wajngarten, reagiu nesta quinta-feira, 6, a um assalto no bairro dos Jardins, na zona oeste de São Paulo. Armado, ele perseguiu o suspeito por dois quarteirões, até que uma pessoa que estava na rua passou uma rasteira no homem, que caiu. Wajngarten o dominou e acionou a Polícia Militar, que levou todos para o 78.ª DP. O suspeito foi identificado como Otílio Feitosa Souza, de 30 anos. Motoboy, acabou detido em flagrante por tentativa de roubo.

Ao Estadão, Wajngarten disse que reagiu para proteger seus pais e porque sentiu no suposto assaltante "a certeza do êxito". "Não dei uma de Rambo, não. Fiz para proteger meus pais e por causa da certeza do assaltante de que ele teria êxito", afirmou. Wajngarten contou que foi até o prédio onde moram seus pais para pegar lentes para óculos que sua mãe havia mandado fazer. Eles conversavam na calçada, por volta das 12h, quando o secretário foi abordado por um homem de jaqueta em uma moto.

O homem pediu o relógio do secretário. "Não entendi", respondeu Wajngarten. ¨Você perdeu o relógio¨, retrucou o homem, segundo o relato do secrtário. Wajngarten disse que só sacou a arma quando Otílio pediu o relógio pela terceira ver. "Saquei e mandei ele se deitar mas ele saiu correndo, virou a esquina e desceu a rua Bela Cintra. Gritei 'pega ladrão'" relatou Wajngarten, que disse ter porte de arma há mais de um ano.

Foi quando outro homem que acompanhava a confusão deu uma rasteira e derrubou Otílio. O suspeito foi rendido. Segundo seu advogado, Edson Costa, ele negou o crime. De acordo com a delegada Zuleika Gonzalez Araújo, titular do 78 DP, o suspeito tem passagens pela polícia por porte ilegal de arma de fogo e outro roubo.

Nas redes sociais, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, deu “parabéns” ao secretário, ao publicar uma notícia sobre o ocorrido.

A recomendação da polícia e de especialistas em segurança pública, porém, é que nunca se reaja a um assalto. Para o ex-secretário nacional de Segurança Pública e coronel da reserva da PM paulista José Vicente da Silva Filho, o erro de Wajngarten foi ter corrido atrás do assaltante, enquanto ele deveria ter ligado para a polícia e identificado o indivíduo. “Ele abandonou uma situação defensiva e entrou em uma via aberta, onde o sujeito poderia ter comparsas armados. Dar rasteira e prender o suspeito não é papel do cidadão. É uma reação não recomendada e que expôs ele a extremo perigo.”/ COLABOROU BIANCA GOMES

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