Wagner Rossi, da Agricultura, vira ‘emblema’ da crise

Ministro peemedebista teve cargo ameaçado após a derrota do Planalto na votação do Código Florestal na Câmara

Christiane Samarco e Célia Froufe, de O Estado de S. Paulo

27 de maio de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - O cerco do Planalto ao ministro da Agricultura, o peemedebista Wagner Rossi, foi o sintoma mais explícito do embate entre PT e PMDB durante as sessões de discussão e votação do Código Florestal na Câmara. O ministro, como revelou nesta sexta, 27, a colunista do Estado, Dora Kramer, chegou a ter a cabeça pedida pelo ministro Antonio Palocci em telefonema ao vice-presidente Michel Temer, que é do PMDB.

 

Mais de uma vez, ao longo das negociações, as lideranças do PT e assessores da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, citaram o ministro da Agricultura como um "defensor radical" dos ruralistas e "empecilho" para chegar a um consenso com os ambientalistas. Em conversas com jornalistas, mas sempre em off (sob anonimato), esses assessores espalhavam que havia um descontentamento do Planalto com Wagner Rossi - ele foi uma indicação de Temer.

 

No dia 12, uma onda de boatos deu como certa a demissão do ministro da Agricultura. O gabinete de Rossi foi bombardeado por uma bateria de telefonemas de jornalistas querendo confirmar a demissão.

 

Algumas perguntas foram acompanhadas da "informação" com a lista das razões da demissão: 1) Rossi estava sendo investigado por conta de decisões tomadas quando era presidente da Conab; 2) Rossi cuidava mais dos interesses do PMDB do que da Agricultura; 3) Rossi ficava pouco em Brasília; 4) Rossi estava mais atrapalhando do que ajudando nas negociações do Código Florestal.

 

‘Bandidos’. Rossi discutiu com lideranças do partido o cerco político ao cargo e se queixou, nas reuniões internas do governo - na presença, inclusive, de assessores do Planalto e do Ministério do Meio Ambiente -, do fato de o debate, em torno do Código Florestal, "ter igualado os agricultores a bandidos desmatadores, a traficantes de madeira ilegal".

 

O ministro reclamou também do fato de os ambientalistas terem tentado "dar um golpe nos trabalhos do Congresso". "Não queriam reconhecer que havia progressos para o meio ambiente e a agricultura no novo Código Florestal e, por isso, tentaram pura e simplesmente barrar a votação", queixou-se, alegando que a lei prevê o cadastramento de propriedades, a recomposição florestal e penalidades fortes para quem não cumprir as regras.

 

Wagner Rossi assumiu a pasta em março de 2009, quando o então ministro Reinhold Sthephanes deixou o cargo para disputar uma vaga na Câmara. Antes, marcou sua gestão no comando da Companhia Brasileira de Abastecimento (Conab) pelo loteamento de cargos entre aliados políticos.

 

Ele integrou a Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional e o Grupo Gestor do Programa de Aquisição de Alimentos do Ministério do Desenvolvimento Social. Entre 1999 e 2000, durante o governo Fernando Henrique, também por indicação do PMDB, comandou a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), administradora do porto de Santos.

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