Wagner Montes desiste e Gabeira disputará prefeitura do Rio

Deputado, que estrela programa na TV, era líder nas pesquisas; além do deputado verde, há 3 pré-candidatos

Alexandre Rodrigues, de O Estado de S.Paulo

03 de março de 2008 | 19h49

O deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) apresentou nesta segunda-feira, 3, o seu nome para disputar a prefeitura do Rio numa reunião com políticos do PV, PSDB e PPS. O encontro serviu para cimentar uma aliança dos três partidos para concorrer à sucessão do prefeito Cesar Maia (DEM), mas ainda não foi conclusivo.   No PDT, que realiza pré-convenção no próximo fim de semana, o deputado estadual Wagner Montes desistiu de sua pré-candidatura. Ele era o líder das pesquisas. O principal beneficiado é o senador Marcello Crivella (PRB), que vira o primeiro colocado.A articulação entre PSDB, PPS e PV é um dos primeiros movimentos da eleição no Rio, cujo quadro ainda é bastante indefinido.     Uma nova reunião foi marcada para a próxima semana para a definição do nome que encabeçará a possível coligação. Além de Gabeira, o PSDB tem outros três pré-candidatos à prefeitura. A ex-deputada Denise Frossard (PPS), apesar de bem-colocada nas pesquisas, não tem demonstrado interesse em concorrer. No PV, Alfredo Sirkis desistiu em favor de Gabeira.   A reunião em torno de Gabeira, que aconteceu na sede do PSDB fluminense com a presença do presidente de honra do partido no Rio, o ex-governador Marcello Alencar - entusiasta da candidatura do deputado - , pretendia lançar ainda ontem uma frente dos três partidos. No entanto, a decisão final foi postergada por pressão dos tucanos, que ainda discutem a possibilidade de uma candidatura própria. Os três pré-candidatos do partido são a vereadora Andréa Gouvêa Vieira, o deputado federal Otávio Leite e o deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha, cotado para vice de Gabeira.   Embora tenha sido eleito vice-prefeito na chapa de Maia, Otávio Leite acredita na possibilidade de construir uma candidatura alternativa ao projeto político do atual prefeito com o PV e o PPS, apesar de os dois partidos terem sido apoiados pelo DEM de Maia em 2006 na frustrada candidatura de Frossard ao governo estadual. "A idéia é fortalecer a frente para dar um novo rumo à cidade, que sofre uma grande degradação. Mas não tem definição ainda", afirmou Leite, que classificou sua aliança rompida com o prefeito como uma experiência "que não deu certo". Procurado pelo Estado, Gabeira não foi encontrado.   Leite diz que ainda precisa consultar sua base antes de desistir em favor de Gabeira. Outra questão que impediu a definição da frente ontem é a ambição do PPS de indicar o vice, apesar de o PSDB ter mais tempo de televisão, um dos itens mais delicados do acordo. Frossard não compareceu à reunião, mas não é vista como impedimento. Ela tem sinalizado que prefere se poupar para a disputa do Senado em 2010. Além disso, o nome de Gabeira é bem-visto no PPS. Gabeira e Frossard se aproximaram em 2006, quando o deputado pediu votos para ela. "Eu me sentiria muito honrada de subir no palanque dele", diz a deputada Marina Magessi (PPS-RJ), afilhada política de Frossard.       De acordo com sondagem do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS) feita no final de fevereiro, Crivella lidera com 18% das intenções de voto no cenário sem Montes, seguido de Frossard, com 14%. Gabeira só aparece em sexto lugar, com 5,5%, atrás da ex-deputada Jandira Feghali (PCdo B), Eduardo Paes (PMDB) e Solange Amaral (DEM), os dois últimos candidatos do governador Sérgio Cabral e de Maia, respectivamente.   "Apesar de terem personalidades bem diferentes, Montes e Crivella têm o mesmo perfil de eleitores. Cerca de 90% das intenções de votos deles vêm das zonas norte e oeste da cidade, as regiões mais pobres. Cerca de 30% dos eleitores de Montes migram diretamente para Crivella", analisa o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, coordenador da pesquisa do IBPS.   Apesar de estrelar um programa popular na TV Record do Rio, emissora controlada pelos líderes da Igreja Universal, Montes nega ter desistido da pré-candidatura a pedido de Crivella, bispo licenciado da congregação. Como tem um discurso pautado na segurança pública, ele disse ter mais interesse em se preparar para disputar o governo do Estado. Ele também quer evitar sair do ar por causa da legislação eleitoral. Montes admite que também enfrentava resistência dos pedetistas mais antigos.   "Marreco novo não dá mergulho fundo", resumiu Montes. Com a saída de Montes, o deputado estadual Paulo Ramos é o pedetista com maior chance de vencer a pré-convenção do fim de semana. No entanto, o partido negocia uma aliança em torno de legendas da base do presidente Lula, como PSB, o PC do B de Jandira e o PRB de Crivella. Montes diz que, se convidado, subirá no palanque de qualquer candidato apoiado pelo PDT, inclusive Crivella.

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