Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Wagner diz que Cunha é o 'mentiroso' e o 'derrotado' após impeachment

Ministro da Casa Civil rebate presidente da Câmara, diz que ele, e não Dilma, conversou com deputado e critica pedido de afastamento da petista

Carla Araújo, Gustavo Porto e Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

03 de dezembro de 2015 | 12h57

Texto atualizado às 13h30

BRASÍLIA - O ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, afirmou rebateu nesta quinta-feira, 3, as declarações dadas pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O ministro disse que o peemedebista é quem mentiu e que, com a deflagração do processo de impeachment, o governo se livrou de chantagem. "Agora isso tudo sai da coxia e vai para o palco; acaba a chantagem", afirmou o ministro, em coletiva no Palácio do Planalto.

Mais cedo, Cunha acusou a presidente Dilma Rousseff de mentir em seu pronunciamento na noite de ontem ao negar ter tentado fazer barganha para barrar o prosseguimento do processo de impeachment. O peemedebista disse que, à sua revelia, foram oferecidos os três votos do PT no Conselho de Ética em troca da aprovação da CPMF ao deputado André Moura (PSC-SE), um de seus principais aliados. O parlamentar do PSC teria sido levado à presidente Dilma pelo ministro Jaques Wagner.

O ministro confirmou que se encontrou com o deputado André Moura, mas negou que ele tenha sido levado até a presidente Dilma. "O deputado André Moura esteve comigo e eu sempre discuti com ele, como emissário do presidente da Câmara, pauta econômica, a DRU, a CPMF, a repatriação", afirmou. Wagner citou também o PLN5, que revisava a meta fiscal e foi aprovado ontem. "Nessa matéria felizmente tive êxito, porque conseguimos aprovar."

Wagner disse ainda que nunca conversou com Moura sobre pedido de impeachment. "Ele seguramente vai confirmar isso."

Fim da chantagem. O ministro destacou que sempre defendeu a tese de que o governo não poderia se sustentar o tempo todo ameaçado pela abertura do impeachment. "Sempre disse: o presidente da Casa que decida o que ele quiser e nós colocaremos o número (no Congresso) para barrar", afirmou.

Wagner disse ainda que o tema "virou pauta única de alguns segmentos" e que desde o início do segundo mandato de Dilma estavam procurando algo para tentar encaixar a presidente num pedido de impeachment. "Eles andaram o ano inteiro com lanterna na mão procurando para encaixar Dilma no impeachment", disse. "Todo mundo sabe que não há dolo, má fé e nada de errado com a presidente."

O ministro destacou que as chantagens de Cunha para tentar se livrar de um processo de cassação no Conselho de Ética eram públicas e prejudicavam o país. “Eu não sou obrigado a ser verdadeiro com alguém que usa o próprio poder para paralisar o país e paralisar a vida do Congresso Nacional, tanto que imediatamente depois ele já disse que vai prorrogar as CPIs. Sempre é a ferramenta da ameaça.”

Segundo Wagner, o peemedebista depois de esgotar conversas com a oposição tentou, sem sucesso, obter apoio do governo. “Quando ficou feio para a oposição estar se abraçando (a Cunha) nessas situações, ele vem tentar conosco e também não levou.” O ministro destacou o governo não vai querer brigar com Cunha. “Nossa briga não é com Eduardo cunha. O presidente Eduardo Cunha tem uma briga com o Conselho de Ética”, disse, ressaltando que essa é uma questão interna da Câmara.

Para Wagner, o rompimento definitivo do governo com Cunha coloca fim a chantagem. “Acho ótimo. Sai-se da coxia e vem-se para palco. Acaba chantagem”, disse.

Legitimidade. O ministro disse também que Cunha perdeu a legitimidade para sentar na cadeira da Casa que o julga e que o grande derrotado no episódio que culminou o impeachment será o deputado. “Ele perdeu no campo e continua insistindo para ver se ganha no tapetão”, disse. “Na verdade, o grande derrotado desse processo é o presidente da Casa que vai ter que enfrentar, sem ameaças, o processo no Conselho de ética”, disse.

Wagner disse ainda que a posicionamento de Cunha de ser “bunker da oposição” não é compatível com a cadeira da presidência da Câmara. “Ele não pode ser nem governo absolutamente, nem ser o bunker da oposição. Mas durante muito tempo ele foi o bunker da oposição. Então eu acho que ele perdeu a posição de magistrado, mas essa foi uma decisão dele”, disse, complementando que de uma certa forma, “ele até era oposição ao vice Michel Temer, por ser oposição ao governo da presidente Dilma”.

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