Wagner comemora ´liberdade´ da Bahia em seu discurso

Foi a gritos de "liberdade" que um público estimado pela Polícia Militar em sete mil pessoas recebeu o carro aberto em que estava o novo governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), e sua mulher, Maria de Fátima Mendonça, na frente de um palco montado na área externa da Assembléia Legislativa do Estado, na manhã desta segunda-feira, em Salvador. "Mostramos mais uma vez que a Bahia é livre, a Bahia não tem dono", respondeu o governador, envolto por uma bandeira da Bahia, no discurso de posse, lembrando que sua eleição encerra um período de 16 anos em que o Estado foi administrado pelo PFL - partido do senador Antonio Carlos Magalhães. A cena, que marcou o fim da participação de Wagner em sua posse, por volta das 12h30, refletiu a tônica dos eventos de transmissão de cargo, que começaram às 9 horas. "Por anos a fio, quem dominou a política na Bahia se preocupou muito em concentrar e pouco ou nada em repartir", disse o governador, pouco antes, em discurso a correligionários, autoridades estaduais e o ministro da Defesa, Waldir Pires, no plenário da assembléia. "E isso começa a mudar hoje: nos próximos quatro anos, a Bahia vai ter um governador que vai trabalhar cada minuto para fazer o Estado produzir, crescer e promover a igualdade", afirmou, prometendo focar o governo nas áreas de educação, saúde e trabalho. Os discursos só ficaram mais amenos quando Wagner foi à Governadoria, onde o agora ex-governador Paulo Souto (PFL) transmitiu o cargo oficialmente ao petista. "Não haverá revanchismos", garantiu Wagner a Souto - a quem elogiou pela "postura democrática" durante o processo de transição do cargo. "Vamos trabalhar juntos pelo povo da Bahia". O ex-governador respondeu. "Tenho a convicção do dever cumprido", disse. "O novo governador assume um Estado em plenas condições de avançar." Às 12h40, o governador deixou para trás o público e se dirigiu ao aeroporto, para pegar um vôo para Brasília, onde acompanhou a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As comemorações em Salvador, porém, continuaram até o fim da tarde, com a apresentação de grupos de samba de roda, de capoeira e de ritmos afro-brasileiros. De acordo com a assessoria do governador, a festa custou ao partido R$ 100 mil. Trajetória política Quando Waldir Pires, hoje ministro, elegeu-se governador baiano frente ao candidato do senador Antônio Carlos Magalhães em 1986, esperava-se o fim da hegemonia iniciada 25 anos antes. Logo na votação seguinte, voltou o carlismo, que adentrou o século 21. Sob essa sombra, o petista Jaques Wagner tenta transformar em governo a euforia que o levou ao Palácio de Ondina. Na surpreendente vitória no primeiro turno da disputa de outubro, o carioca de 55 anos bateu Paulo Souto, candidato à reeleição, em um triunfo também simbólico por dar fim, nas palavras do próprio Wagner, a uma das últimas capitanias hereditárias do Brasil. Em 2002, o aliado de ACM levou a melhor sobre o hoje governador eleito. Com amplo leque de alianças, diálogo aberto com partidos de oposição e apoio do amigo e presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva, que o vê como um pacificador, Wagner está buscando reunir as condições para evitar as dificuldades da gestão de Waldir Pires, que também assumiu o governo estadual com expectativa de renovação. Diferente de Wagner, o atual ministro da Defesa, então no PMDB, tinha menos aliados e pouca simpatia de Brasília. Em 1989, deixou o governo para ser o candidato a vice-presidente na chapa de Ulysses Guimarães. Na época, a pressão vinha da mídia e do ministro das Comunicações do presidente José Sarney - o próprio ACM. Para derrotar o carlismo, o governador eleito se cacifou como ministro em três áreas diferentes no governo Lula: o Ministério do Trabalho, a Secretaria do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e a pasta das Relações Institucionais. Foi um dos articuladores de Lula para estancar a crise política de um governo combalido por denúncias de corrupção, desde meados de 2005, e foi decisivo na eleição do palaciano Aldo Rebelo (PCdoB-SP) ao cargo de presidente da Câmara.

Agencia Estado,

01 Janeiro 2007 | 16h36

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