Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

'Vou pôr para votar o Orçamento impositivo', diz Cunha

Presidente da Câmara considera votação página virada, mas propõe pauta que desagrada governo

Entrevista com

Eduardo Cunha

João Domingos e Erich Decat , O Estado de S.Paulo

03 Fevereiro 2015 | 02h05

BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), considera página virada a disputa que travou com o PT e o Planalto ao longo do processo de eleição para comandar a Mesa Diretora da Casa, mas declarou que vai colocar em votação hoje o Orçamento impositivo - uma pauta sem adesão do governo.

Depois da acirrada disputa pela presidência da Câmara, o senhor acha que o PMDB e o PT devem continuar como parceiros na próxima eleição presidencial?

Isso é uma coisa partidária. Eu, como presidente da Câmara, não posso falar sobre isso. Seria passar por cima da posição partidária. Isso é uma coisa que o partido vai ter que responder no seu devido tempo e na sua devida forma.

Mas o governo trabalhou na campanha do Arlindo Chinaglia (PT-SP). No discurso, o senhor citou essa interferência.

Eu fui muito claro quando me perguntaram sobre isso. E a Casa já respondeu.

Na avaliação do senhor, onde o governo errou ao interferir no processo da disputa pela presidência da Câmara?

Errado é a interferência de um poder no outro. Eu reclamei.

Ficarão sequelas da eleição?

Eu tenho que tratar das questões que cabem ao presidente do Poder. Eu não vou passar no exercício da presidência da Câmara qualquer tipo de resquício que seja gerado pela disputa. E agora, o que houver de sequela já é problema partidário.

Qual é o primeiro passo de sua pauta de votação na Câmara?

Amanhã (hoje), nós vamos votar o Orçamento impositivo. Vou pôr para votar. Se houver acordo, vai votar.

Não é o primeiro confronto? O governo não quer essa votação.

O texto da emenda constitucional que será votado foi aprovado pelo governo. Não teve contestação. Pode votar com tranquilidade. Se não der, cada um vota do que jeito que lhe convier.

Como o senhor viu a inferência do governo para fortalecer, por exemplo, o PSD do ministro Gilberto Kassab em prejuízo do PMDB?

Eu não falo pelo PMDB. Quem tem que falar é o Michel Temer (vice-presidente da República e presidente do PMDB).

A presidente Dilma Rousseff ligou para o senhor na segunda-feira. Foi um sinal de início do diálogo do Planalto com o senhor?

Ela ligou para me cumprimentar. Só isso.

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