''Vou continuar plantando e produzindo''

Paulo César Quartiero: líder arrozeiro; arrozeiro diz que não perdeu as esperanças e que crise mundial vai desmascarar ?xiitas do governo da área fundiária?

Entrevista com

Roldão Arruda, enviado especial, Boa Vista, O Estadao de S.Paulo

12 de dezembro de 2008 | 00h00

O arrozeiro Paulo César Quartiero, de Roraima, ainda não jogou a toalha. Sem explicar quais os motivos de suas convicções, ele acredita que será possível reverter a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e permanecer em suas terras: uma fatia da Terra Indígena Raposa Serra do Sol coberta de vistosos arrozais. "A crise econômica está chegando ao Brasil e vai desmascarar o desgoverno Lula, a política antinacional dos setores ambientalistas, os xiitas do governo da área fundiária", diz.Como o sr. viu o resultado da votação no STF, na quarta-feira?Lutamos para que a questão da demarcação fosse judicializada e para que fosse interrompida a Operação Upatakon 3, conduzida pela Polícia Federal, com a meta de retirar os arrozeiros das áreas demarcadas. Conseguimos essa vitória e fomos ao STF. Mas o resultado não foi o que esperávamos. O voto dos ministros foi um voto rancoroso, contra os produtores, contra os proprietários rurais, o Estado de Roraima. Foi um voto ideológico, com os ministros mais preocupados com questões politicamente corretas do que com os fatos.O que deve acontecer agora?A crise econômica está chegando ao Brasil e vai desmascarar o desgoverno Lula, a política antinacional dos setores ambientalistas, os xiitas do governo da área fundiária. Por outro lado, a crise vai provocar uma secura nas fontes de recursos para ONGs que hoje brigam pela desnacionalização do Brasil. Não podemos continuar com situações tão vexaminosas, como ir ao STF para ser acusado de invasor, matador de índio, destruidor da natureza.Pelo que o sr. disse, a decisão do STF afeta não apenas os arrozeiros, mas também Roraima.Ao atirar contra os produtores de arroz de Roraima, o STF atingiu o setor mais emblemático da economia do Estado - não tanto por sua participação no PIB local, mas por ser um dos mais organizados, um dos poucos que estão dando certo, garantindo emprego a 6 mil pessoas. Aqui não se produz quase nada. As populações indígenas vivem de cesta básica, aposentadorias, Bolsa-Família. O Estado terá mais miséria e mais fome. O sr. jogou a toalha?Não. Não perdi as esperanças. Vou começar a colheita do arroz no dia 20 e vou continuar plantando e produzindo. Por enquanto só penso em sobreviver. Mas sei que a realidade muda, as políticas mudam. O sr. não se considera um invasor? Não. Quando mudei para Roraima, em 1976, a população girava em torno de 40 mil habitantes. Não havia uma estrada que ligasse Boa Vista a Manaus. Não existia nem meia dúzia de carros na capital. Eu comecei a trabalhar e a produzir numa região despovoada. Como posso ser invasor?O sr. não se sente inseguro?Várias vezes já pensei em mudar para outro país. Digo aos produtores que os problemas nunca vão acabar se não reagirmos. Hoje são os índios. Amanhã virão os quilombolas, os ribeirinhos e outros. Mas eu não desisto nunca.

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