Votos válidos dariam vitória a Lula no 1º turno, diz CNT/Sensus

A pesquisa do Instituto Sensus, divulgada hoje pela Confederação Nacional do Transporte, mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua na liderança das intenções de votos. Na pesquisa estimulada, a CNT/Sensus traçou cinco cenários. No primeiro deles, com a presença do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (PMDB), Lula obteve 40,5% das intenções de voto, mais do que o índice registrado na última pesquisa, feita em abril, de 37,5%; o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) obteve 18,7%, ante 20,6 na última pesquisa; Garotinho ficou com 11,4% ante 15,0 em abril; Heloísa Helena, 6,1% ante 4,3% no mês passado; os indecisos, votos brancos e nulos ficaram em 23,4%. Por este cenário, o técnico da CNT, Ricardo Guedes, diz que Lula ganharia no primeiro turno. Isso acontece em todos os cinco cenários, nos quais ele obteve acima de 40% das intenções de votos.Na hipótese de disputa com a participação de outros candidatos de partidos menores, como o PPS do deputado Roberto Freire (PE) e o PDT do senador Cristovam Buarque (DF), Lula obteve 42,7% e Alckmin, 20,3%; Heloísa Helena, 8,0%; Roberto Freire, 2,6%; Cristovam Buarque, 5%; José Maria Eymael (PSDC), 0,7%, e Enéas (Prona), 1,6%.Pelo raciocínio de Ricardo Guedes, desconsiderando os votos nulos e brancos - ou seja, apenas os válidos -, Lula tem chance de ganhar no primeiro turno.No terceiro cenário, em que o nome do ex-presidente Itamar Franco (PMDB) foi incluído, Lula obteve 42,1%; Alckmin, 19,3%; Heloísa Helena, 8,7%; Itamar Franco, 6,0%; e indecisos, brancos e nulos somaram 24,0%. Saindo Itamar e entrando José Alencar (PRB), os números apontaram Lula com 41,9%; Alckmin, com 20,8%; Heloísa Helena, com 8,3%; José Alencar, com 3,8%; indecisos, brancos e nulos, 25,4%.Em outra lista, Lula ficou com 40,9%; Alckmin, com 18,5%; Garotinho, com 7,9%; Heloísa Helena, com 6,8%; Enéas, com 1,8%; Roberto Freire, com 1,5%; Buarque, 0,5% e Eymael com 0,5%, enquanto indecisos, brancos e nulos somaram 21,9%.O ex-governador Anthony Garotinho foi incluído na pesquisa CNT/Sensus apesar de o PMDB ter decidido em convenção, no último dia 13, não lançar candidato próprio.Pelo raciocínio de Guedes, todos foram considerados como pré-candidatos, uma vez que as convenções partidárias só tomarão a decisão final em junho. O nome de Itamar Franco foi considerado, embora ele tenha anunciado, na última segunda-feira, que ele não vai se candidatar.Lula lidera também na pesquisa espontâneaA pesquisa CNT/Sensus, realizada de 18 a 21 de maio, depois, portanto, dos atos de violência em São Paulo e da nacionalização do gás boliviano, confirma Lula na liderança entre os candidatos à Presidência na pesquisa espontânea. Ele obteve 28,2% da preferência e o pré-candidato na chapa PSDB-PFL, Geraldo Alckmin, ficou com 8,1% das intenções de voto; Antony Garotinho, do PMDB, com 1,9%; José Serra, do PSDB, com 1,9%; e Heloísa Helena, do PSOL, 1,6%. A soma de indecisos, brancos e nulos foi de 56,7%.O presidente Lula foi o único que cresceu na preferência dos entrevistados, em relação à pesquisa feita no mês passado, quando obteve 26,4%. Alckmin obteve 9%; Anthony Garotinho 2,8%; José Serra, 2,8%; e Heloísa Helena 0,9%. Indecisos brancos e nulos ficaram em abril no mesmo patamar da última pesquisa, divulgada hoje: 56,8%.Cenário no segundo turno confirma vitória de LulaSe a eleição presidencial for decidida em segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria reeleito, com 48,8% dos votos, acima do porcentual obtido no mês passado, de 45%. O pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, teria 31,3%, abaixo dos 33,2% registrados na última pesquisa. Indecisos, brancos e nulos somaram 20%.Na pesquisa CNT/Sensus anterior, a rejeição era 21,9%. Se o adversário de Lula for o ex-governador Anthony Garotinho, o presidente terá 52,8%, contra 48,5% de abril. Garotinho ficaria com 20,4% contra 24,2% no mês passado. Votos indecisos, brancos e nulos, nesse cenário foram de 27%, contra 27,5% em abril.Se a candidata for a senadora Heloísa Helena (PSOL), Lula teria 52,6% da preferência e a senadora, 20,3%. Em abril, Lula teve 52,4% e a senadora 16,9%. Indecisos, brancos e nulos somaram 27,2 contra 29,8% em abril.No cenário em que a disputa é entre Lula e o ex-presidente Itamar Franco, Lula obteve 54,3% contra 19,2% de Itamar. Indecisos, brancos e nulos totalizaram 26,6%. Se o adversário fosse o vice-presidente, José Alencar, Lula obteria 55,3% e José Alencar 15,8%. Indecisos, brancos e nulos, 29%. Rejeição é estávelO índice de rejeição ao presidente Lula continua estável em relação à última pesquisa. Do total dos entrevistados, 34,7% disseram que não votariam em Lula contra 35,7% registrado no último levantamento, feito em abril. Já o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, teve a rejeição de 40,6% dos entrevistados. Em abril, a rejeição foi menor: 33,5%. Pouco mais da metade dos entrevistados, 50,7%, disseram que não votariam na senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), que na pesquisa anterior também teve uma rejeição menor, de 47,7%. Anthony Garotinho, do PMDB, obteve uma rejeição de 60,7% dos entrevistados, contra 50,7% de rejeição no mês passado. Itamar Franco, que foi colocado na pesquisa antes de ele anunciar que estava saindo da disputa, teve 59,6% de rejeição, e José Alencar 60,1%. Na avaliação do diretor da CNT, Ricardo Guedes, tecnicamente quem obteve mais de 40% de rejeição é considerado fora do jogo político. Por esse raciocínio, Alckmin estaria fora. Ainda de acordo com análise do diretor da CNT, o candidato com até 35% de rejeição permanece na disputa.Na avaliação dele a greve de fome de Garotinho, em manifestação pelo direito de resposta às acusações divulgadas pela imprensa, contribuiu incisivamente para aumentar a sua rejeição.Desempenho de Lula também mantém estabilidadeO desempenho pessoal do presidente também manteve-se estável, na pesquisa divulgada hoje. Dos entrevistados, 53,9% aprovam o desempenho de Lula ante 53,6% no mês passado; 37,8% o desaprovam ante 37,6% em abril, e 8,4% não responderam ou disseram não saber.O presidente obteve avaliação positiva de 38,3%, acima dos 37,6% registrados em abril; 37,5% consideraram seu desempenho regular ante 36,7% no mês passado, e 22,2% o avaliaram negativamente ante 24,1% em abril.Em relação ao governo, 8,9% disseram que o consideram ótimo, ante 9% em abril; 29,4% o consideram bom ante 28,6% em abril; 37,5% o consideram regular ante 36,7% no mês passado; 8,5% o consideram ruim ante 9,6% na última pesquisa e 13,7% o consideram péssimo ante 14,5% em abril.Essa avaliação positiva de 38,3% foi atribuída pela CNT à estabilidade da moeda, ao aumento do emprego, ao aumento do salário mínimo acima da inflação e aos programas sociais do governo. Segundo a Confederação, são esses os principais fatores que sustentam os votos favoráveis de Lula para a eleição de outubro.28,2% desaprovam ações do governo sobre BolíviaAs ações do governo em resposta à crise do gás motivada pela nacionalização das reservas pela Bolívia foram consideradas inadequadas para 28,2% dos entrevistados pela recente pesquisa CNT/Sensus. O percentual representa 44,8% da população que tomou conhecimento do assunto, que foi 62,8% das duas mil pessoas entrevistadas. Consideraram adequadas as ações do governo 19,9% das pessoas ouvidas entre 18 e 21 maio, o equivalente a 31,6% da população que soube do tema. Para 35,4% dos entrevistados, o problema vai afetar o abastecimento de gás no País, enquanto 20,4% não acreditam em impacto no fornecimento.Para 17,7% da população, o governo brasileiro deveria cancelar os investimentos na Bolívia em resposta à decisão tomada por aquele país. A segunda ação mais requisitada foi retirar as instalações da Petrobras na Bolívia, apontada por 16,1% dos entrevistados. O total de 12,6%, querem que o Brasil processe o governo boliviano, e sugere que o País declare guerra à Bolívia - 1,4% do total das pessoas ouvidas.Para 28,4% dos entrevistados, a crise do gás prejudica a reeleição do presidente Lula, enquanto 28% avaliaram que não afeta. Expectativa de 49% é de que Lula venceráA expectativa de 49% dos entrevistados na pesquisa CNT/Sensus é de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva será reeleito em outubro. Do total de entrevistados, 13,7% acham que Geraldo Alckmin, da chapa PSDB-PFF, será o vencedor, enquanto 4% acreditam na vitória de Anthony Garotinho (PMDB), 1,6% opinaram pela vitória de Itamar Franco; 1,6% e 1,5% acreditam na vitória da senadora Heloisa Helena. De acordo com a pesquisa CNT/Sensus, 28,9% não sabem ou não responderam.Hexa não irá ajudar reeleiçãoUma eventual vitória do Brasil na Copa do Mundo não irá facilitar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na opinião de 53% dos entrevistados na pesquisa CNT/Sensus. Para 32% dos eleitores, o eventual hexacampeonato irá beneficiar Lula. Segundo o diretor da Sensus, Ricardo Guedes, isso significa que o brasileiro está separando o fenômeno esportivo da política. A pesquisa também indagou aos entrevistados sobre qual seleção irá ganhar a Copa do Mundo. Para 79,8% a taça virá para o Brasil; 3,4% apontaram a Alemanha como favorita; e 1,1% apontaram a Argentina. Para 50,1%, atentados em SP prejudicam campanha de AlckminA pesquisa, aponta ainda que, para 50,1% dos 2 mil entrevistados, os atentados realizados na semana passada em São Paulo prejudicam a campanha do pré-candidato (PSDB-PFL) Geraldo Alckmin à Presidência. Esse grupo representa 59,5% da população que tomou conhecimento do assunto. De acordo com a pesquisa, 84,1% dos entrevistados tiveram conhecimento dos ataques realizados pelo PCC na semana passada. Para 22,8% (o equivalente a 27,1% dos que tomaram conhecimento do problema) dos entrevistados o problema não vai prejudicar a campanha de Alckmin. A pesquisa não perguntou se os atentados em São Paulo prejudicariam a campanha do presidente Lula.Segundo o diretor da Sensus, Ricardo Guedes, essa pergunta não foi feita porque esse tema foi colocado de última hora no questionário e só ocorreu aos pesquisadores perguntar sobre Alckmin pelo fato dele ter sido o governador de São Paulo.A CNT Sensus perguntou ainda sobre com quem estava a principal responsabilidade pela segurança pública em geral. Para 29,8% dos entrevistados, a responsabilidade principal é do governo federal; 13,7% disseram com os governos estaduais e 5,5% com as prefeituras. Ainda consideram as três esferas responsáveis, 29,6%. Para 57% dos entrevistados os ataques em São Paulo têm origem criminal, enquanto 19,5% consideram que os atentados tiveram origem política. Índice de satisfação do cidadão com os EstadosO índice de satisfação do cidadão com os Estados caiu de 64,25 pontos em abril para 62,25 pontos em maio. Segundo Guedes, a razão mais provável para a queda na satisfação foram os episódios de violência que ocorreram em São Paulo. Isso teve impacto também sobre a avaliação positiva dos governadores estaduais que caiu de 46,3% em abril para 43% em maio, que foi acompanhada de um aumento na avaliação negativa de 15,5% para 17,9%, respectivamente.

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