Voto pró-tucano desgasta PT em São Paulo

Em nota, bancada diz que decisão de Pereira a favor de arquivar ação contra Bragato é 'estritamente individual'

Silvia Amorim, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2023 | 00h00

O voto do deputado estadual Hamilton Pereira (PT) a favor do arquivamento das denúncias contra o tucano Mauro Bragato, anteontem, no Conselho de Ética da Assembléia Legislativa de São Paulo, provocou desconforto dentro da maior bancada de oposição da Casa, o PT. Preocupado com o impacto negativo que a decisão do deputado possa trazer ao discurso e à imagem da oposição, o PT decidiu condenar publicamente a medida tomada pelo conselho e pelo petista. O partido foi autor de uma das representações ao conselho pedindo apuração das suspeitas sobre Bragato.Em nota, os petistas fizeram questão de destacar que a atitude do "deputado Hamilton Pereira, membro desta bancada, teve caráter estritamente individual" e não seguiu orientação da bancada, discutida em várias reuniões para que se "instaurasse procedimento investigatório para verificar eventual envolvimento do deputado".Bragato é suspeito de ter recebido, entre 2003 e 2005, R$ 104 mil da empresa FT Construções, pivô de uma organização criminosa denunciada à Justiça sob acusação de fraude em licitações e superfaturamento de obras de casas populares da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) na região de Presidente Prudente, reduto eleitoral do deputado tucano.Conforme o Estado noticiou, o ex-líder do PSDB na Assembléia é alvo de investigações no Ministério Público e no Tribunal de Justiça. Bragato nega participação no esquema.Anteontem, entretanto, o Conselho de Ética, formado em sua maioria por deputados da base governista, arquivou o pedido de processo antes mesmo de fazer uma investigação. Pereira, único representante da oposição no colegiado, desconsiderou a orientação do PT e seguiu o voto dos governistas.AUSÊNCIAOntem, o deputado petista não compareceu à reunião semanal da bancada, que deliberou sobre a divulgação da nota oficial de repúdio ao arquivamento do caso. Na avaliação do PT, Pereira poderia ter evitado a saia-justa para o partido se não proclamasse o seu voto. Como presidente do conselho, ele tem a prerrogativa de somente votar em caso de empate.À tarde, encerrada a reunião do PT, Pereira usou a tribuna para expor os motivos do seu voto. Alegou que, antes de tomar sua decisão, procurou sua assessoria jurídica e pediu uma análise da documentação enviada pela Procuradoria-Geral à Assembléia sobre as denúncias. À noite, Pereira não reprovou a atitude do partido. "É natural, é um direito da bancada", afirmou. Apesar do desgate, o PT não pretende punir o deputado. "Acho que precisamos dialogar. Só isso", afirmou o líder do PT, Simão Pedro. "Nossa posição não mudou. Protocolamos a representação para que houvesse investigação. Esperávamos que o conselho realizasse oitivas, procurasse os promotores. Não era para arquivar sem mesmo apurar", disse.

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