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'Voto é a fonte da minha legitimidade e ninguém vai tirar essa legitimidade', diz Dilma

Lembrando que já viveu e sofreu na época da ditadura, presidente disse que o Brasil hoje é uma democracia que respeita a eleição direta pelo voto popular

Lisandra Paraguassu, enviada especial a Boa Vista, O Estado de S. Paulo

07 de agosto de 2015 | 15h14

Atualizado às 16h15

Boa Vista e São Paulo - Ao fim de uma semana em que o Palácio do Planalto só colheu más notícias, a presidente Dilma Rousseff aproveitou a plateia simpática que a esperava em mais uma cerimônia do programa Minha Casa Minha Vida para defender seu governo, seu mandato e pedir ao Congresso respeito à democracia. Em seu discurso mais duro desde que passou a ser acossada com a possibilidade do impeachment, Dilma afirmou: “Ninguém vai tirar essa legitimidade que o voto me deu”.

“Este País é uma democracia. E uma democracia respeita, sobretudo, a eleição direta pelo voto popular. Eu respeito a democracia do meu País. Eu sei o que é viver numa ditadura. Por isso, eu respeito a democracia e o voto. Podem ter certeza de que, além de respeitar, eu honrarei o voto que me deram”, afirmou Dilma em Boa Vista (RR). “A primeira característica de quem honra o voto que lhe deram é saber que é ele a fonte da minha legitimidade, e ninguém vai tirar essa legitimidade que o voto me deu”, disse a presidente.

Anteontem, em Brasília, os líderes do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), e no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), defenderam o impeachment de Dilma e do vice Michel Temer para a convocação de novas eleições. Na Câmara, o plenário deu início à manobra para limpar a pauta e votar as contas da gestão da petista, o que, no limite, pode levar à cassação de Dilma. 

Em um recado claro ao Congresso e à oposição, Dilma cobrou compromisso com a estabilidade política e respeito à democracia. “Nós temos de nos dedicar à estabilidade institucional, econômica, política e social do País. Eu sei que tem brasileiros que estão sofrendo. Por isso é que eu me comprometo a trabalhar diuturnamente. Isso é minha obrigação, é meu dever. Mas, além disso, eu me comprometo também a contribuir e a me esforçar pela estabilidade”, disse. “O País tem uma democracia. Nós devemos respeito entre os Poderes. Eu me disponho a trabalhar também incansavelmente para assegurar a estabilidade política do nosso País. Eu me dedicarei com grande empenho a isso nos próximos meses e anos do meu mandato”. Dilma voltou a dizer que “aguenta pressão” e ameaças, e reconheceu mais uma vez as dificuldades econômicas, mas defendeu que hoje o Brasil é “muito mais forte e mais robusto”.

Tempos difíceis. Desde o início da crise política, a semana que termina hoje concentrou grande dose de problemas para a presidente. O governo perdeu mais uma votação na Câmara, a que elevou os salários de advogados da União e delegados da Polícia Federal, a um custo de RS$ 2,4 bilhões a mais por ano.

Para além do desastre financeiro, o resultado da votação mostrou que o governo perdeu completamente a base de apoio no Congresso e até petistas desertaram. Na véspera da votação, o vice Michel Temer e o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, reuniram os líderes da base na Câmara em um encontro que foi definido depois como um “desastre completo”, com discussões e acusações que, em vez de resolver os problemas, foram apenas o prenúncio do que estava por vir no Congresso. Dois partidos, PTB e PDT, anunciaram que sairiam da base.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), reuniu-se com parlamentares da oposição e conversou sobre cenários para um possível impeachment de Dilma. Anteontem, durante programa do horário partidário do PT na televisão, a cúpula petista pediu união para o País sair da crise – mais uma vez um panelaço foi a resposta. Para o dia 16, diversos protestos estão convocados contra o governo. Até lá, Dilma deve incrementar a estratégia de defender seu mandato e afastar o impeachment.

Em casa. Nesta sexta, em Boa Vista, a presidente pode relembrar a popularidade perdida. Com uma plateia formada majoritariamente por beneficiários do Minha Casa Minha Vida e funcionários do governo do Estado (PP) e da prefeitura (PMDB), Dilma foi bastante aplaudida, algumas vezes de pé, e pôde ouvir de novo os cantos de “Olê, Olê, Olá, Dilma, Dilma”, abandonados desde a campanha de 2014.

Um grupo de grevistas do INSS tentou chegar ao evento, mas foi barrado pela segurança a cerca de um quilômetro do palco onde Dilma estava. Nas próximas semanas, a presidente vai ampliar o roteiro de viagens. Na segunda-feira, vai a São Luís (MA) e na sexta, a Juazeiro (BA), também para entrega de casas. Em seguida, deve entrar também na agenda o Ceará. Para o Planalto, a agenda de viagens é a única forma de recuperar alguma popularidade e o governo precisa lembrar a população de boas coisas que foram feitas. 


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