Voto de eleitor no Rio ignora alianças

Voto de eleitor no Rio ignora alianças

Análise mostra deslocamento da votação de Dilma em relação aos quatro candidatos ao governo que apoiavam a presidente no 1.º turno

WILSON TOSTA / RIO , O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2014 | 02h00

Análise do 1.º turno das eleições feita pelo Estado mostra descolamento entre o desempenho eleitoral da presidente e candidata a reeleição, Dilma Rousseff (PT), e os votos dos quatro candidatos a governador do Estado do Rio que a apoiavam. Nenhum destes postulantes conseguiu suas melhores votações em mais do que sete dos 20 municípios onde a presidente teve suas maiores votações no Estado.

Ou seja: na maioria dos municípios examinados, ela teve, proporcionalmente, muito mais votos do que os quatro aliados.

Uma ironia envolve o desempenho do candidato do PMDB, Luiz Fernando Pezão. Ele obteve suas melhores votações em cinco das 20 cidades com melhor desempenho da presidente, a quem oficialmente dá apoio. São elas Pinheiral (68,55% para Pezão), Carmo (64,73%), Três Rios (64,01%), Comendador Levy Gasparian (63,15%) e Rio Claro (60% ). Pezão, no entanto, se saiu melhor em cidades onde Aécio Neves (PSDB), que disputa o 2.º turno com Dilma, teve seus melhores desempenhos.

Nesse conjunto, o peemedebista conseguiu seus resultados mais vistosos em Rio das Flores (78,90%), Varre-Sai (71,99%) e Areal (70,73%). Coincidentemente, no Rio, foi formado o "Aezão", corrente de dissidentes do PMDB que apoiam Pezão e o candidato tucano.

Dilma venceu o 1.º turno no Rio. Mas seu resultado, 35,62%, ficou aquém do que seus aliados esperavam. Antes da campanha, seus articuladores empenharam-se para evitar conflitos com os quatro candidatos a governador que são de partidos de sua base aliada e tentaram usá-los para alavancar a votação. Porém, sem nenhum candidato ao governo a apoiá-la, Marina Silva (PSB) conseguiu 31,07% e Aécio ficou com 26,93%.

Importância. Antes das campanhas eleitorais nacionais, partidos e políticos discutem com empenho a formação dos chamados "palanques estaduais", pois há um consenso na política de que eles são uma forma de alavancar os concorrentes à Presidência a partir dos candidatos locais. Estes, em tese, se fortalecem pelo "guarda-chuva" dado pelos presidenciáveis. Mas o levantamento traz indícios de que os eleitores podem pensar de modo bem diferente.

O caso mais extremo foi o de Anthony Garotinho (PR). Em apenas um município, dos 20 onde Dilma se saiu melhor, o de Cambuci, ele teve 49,35% dos votos e a presidente conquistou 47,78%.

O candidato aliado a governador que conseguiu, em tese, maior "identidade" com Dilma no Rio foi o petista Lindbergh Farias. Em sete das 20 cidades em que a presidente e candidata à reeleição teve suas melhores votações, o parlamentar conseguiu seus maiores desempenhos. Lindbergh ficou em quarto lugar, com 10% da votação.

O concorrente do PRB, senador Marcelo Crivella, que disputa o 2.º turno com Pezão, também teve apenas cinco melhores desempenhos municipais em cidades em que a presidente conseguiu suas 20 melhores votações.

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