Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Voto com meu partido para presidente, diz Skaf

Quinto convidado da série Entrevistas Estadão, candidato do PMDB minimiza polêmica sobre sua resistência em abrir palanque a Dilma

O Estado de S. Paulo

08 de agosto de 2014 | 17h44

O candidato do PMDB ao governo paulista, Paulo Skaf, afirmou nesta sexta-feira, 8, que seu voto para Presidência vai seguir a orientação de seu partido, que na disputa federal é aliado à presidente Dilma Rousseff (PT). Quinto convidado da série Entrevistas Estadão, o candidato reafirmou que em São Paulo não dividirá palanque com o PT e disse que, se eleito, criará passe livre para estudantes. Sobre a crise hídrica, afirmou que "não é a hora" de usar o assunto de forma eleitoreira.

"Tanto PT como PSDB são meus adversários, nem estarei no palanque do PT nem o PT estará no meu palanque, mas por coerência vou votar com o meu partido", disse Skaf. O candidato protagonizou uma polêmica com seu partido, ao publicar nas redes sociais um vídeo ironizando um possível apoio seu a Dilma. Questionado se foi "enquadrado" pelo vice-presidente Michel Temer (PMDB) para apoiar a presidente, Skaf disse não ser do perfil de Temer "enquadrar" alguém, nem o dele de ser "enquadrado". "Não mudei nada. PT e PSDB são meus adversários", repetiu.

A campanha resiste em associar a imagem de Skaf à candidatura de Dilma em razão da rejeição do PT entre o eleitorado paulista.

O candidato admitiu a aparente contradição de estar aliado ao PP, do deputado Paulo Maluf, que apoiou Geraldo Alckmin (PSDB) em 2010 e, neste pleito, iria apoiar Alexandre Padilha (PT), mas desistiu no prazo final de formalização das coligações. Skaf justificou, no entanto, que as alianças são necessárias para que ele se torne conhecido. "PSD e PP são muito bem-vindos, porque preciso me tornar conhecido, precisamos de tempo de televisão e rádio", disse em referência também ao partido do ex-prefeito Gilberto Kassab, candidato ao Senado na chapa do PMDB.

Passe livre e educação. O candidato não descartou eventuais reajustes na tarifa do metrô, mas disse ser possível criar passe livre para estudantes. "Eu também não tenho nenhuma vontade de aumentar preço, mas isto depende de questões inflacionárias", considerou.

Durante a sabatina, o candidato repetiu suas proposta de implantar o ensino em tempo integral no Estado, uma de suas principais bandeiras de campanha. "Para os novos alunos que entrarem na escola pública do Estado a partir de 2016 terão ensino integral", prometeu. Aos alunos do ensino médio, o candidato pretende, se eleito, articular o ciclo regular com curso técnico.

Crise hídrica. Skaf questionou o posicionamento do atual governo diante da crise hídrica que afeta regiões do Estado. "Não precisa discutir projetos, os projetos estão aí, o problema foi que o governo não executou", afirmou. O candidato, no entanto, disse que seu posicionamento será o de discutir o assunto e não de abordá-lo de forma eleitoreira.

Parcerias. Skaf descartou criar novos tributos para aumentar a receita do Estado. Segundo ele, seu eventual governo vai trabalhar para melhor a eficiência de gestão e também vai investir mais na elaboração de Parcerias Públicos Privadas (PPPs). "Pode estar certo que não vou defender nenhum aumento de imposto, vou buscar eficiência na gestão, vou buscar redução de gastos. O orçamento de São Paulo é de R$ 200 bilhões. Você ainda tem a opção de investir com PPPs. Você pode resolver todo o problema do metrô apenas com PPPs. O orçamento deve ser usado para segurança, educação e saúde", afirmou.

Para o candidato, o modelo de parceria poderia ser estudado também para construção de penitenciárias. "Podemos fazer PPP em penitenciárias. Pretendo fazer. Hoje temos mais ou menos 200 mil presos e temos penitenciárias para 120 mil. Temos que acelerar a construção de penitenciárias. Temos exemplos muito bons em Londres e Madri de penitenciárias privadas."

Entrevistas Estadão. Participaram da série ao longo dessa semana o governador Geraldo Alckmin (PSDB), os candidatos Gilberto Natalini (PV), Gilberto Maringoni (PSOL) e Alexandre Padilha (PT).

A série Entrevistas Estadão também vai ouvir os candidatos a presidente e vice, além de concorrentes ao Senado. O primeiro postulante ao Palácio do Planalto será Eduardo Jorge (PV), dia 18. /Ana Fernandes, Wladimir D'Andrade e Gustavo Zucchi

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