Voto aberto é 'questão delicada', diz Renan Calheiros

Aliados do senador defendem o voto secreto no processo no conselho, mas oposição pressiona

28 de agosto de 2007 | 13h09

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou nesta terça-feira,  que uma eventual decisão do Conselho de Ética de utilizar voto aberto no julgamento do processo aberto contra ele é "uma questão delicada".    Veja também: Cronologia do caso Renan       Denúncias contra Renan abrem três frentes de investigação    Veja especial sobre o caso Renan     Renan  fez a afirmação em resposta a uma pergunta sobre a sessão que vai analisar, possivelmente na próxima quinta-feira, o relatório sobre a representação em que o PSOL o acusa de pagar despesas pessoais com dinheiro do lobista de uma empreiteira.     "Essa questão é delicada. Já houve quem tivesse de renunciar por causa da abertura de voto", afirmou Renan, referindo-se à renúncia, em 2001, dos então senadores Antonio Carlos Magalhães (BA) e José Roberto Arruda (DF), acusados de violar o painel eletrônico do Senado para identificar os votos dados pelos senadores, em 2000, na sessão do plenário que aprovara o pedido de cassação do mandato do então senador Luiz Estevão (DF). Magalhães e Arruda renunciaram para não serem submetidos a um processo de cassação que poderia tirar-lhes os direitos políticos.   A adoção do voto aberto na análise do processo contra Renan, no Conselho de Ética, está sendo reivindicada pelos partidos de oposição. Aliados do presidente do Senado defendem o voto secreto no Conselho argumentando que, se fosse aberto, as posições dos senadores do colegiado seriam conhecidas antes da votação do caso em plenário, que é secreta. A votação do pedido de cassação do mandato de Estevão foi secreta no Conselho e no plenário do Senado.   Na última segunda-feira, o líder do PSDB , Arthur Virgílio, disse que não via razão para o voto ser secreto.  "O PSDB não tem o que esconder da nação brasileira", afirmou o parlamentar.   Virgílio disse acreditar que a situação deverá se resolver até o fim desta semana. "Quem está sangrando é o Senado, que precisa arranjar seus mecanismos de autopreservação, de manter o respeito pela sociedade brasileira. Nós, do PSDB, não temos o menor interesse em  ver isso se arrastando. Já demorou muito", lamentou.   O DEM também vai pressionar pelo voto aberto, segundo informação da rádio CBN. Dos 15 senadores que compõe o conselho, quatro são do democratas.     Relatores   Às vésperas da votação da primeira representação contra o presidente do Senado, dois dos três relatores do processo disseram no último sábado que vão trabalhar para que o voto no colegiado seja aberto. Os aliados de Renan iniciaram na semana passada manobras para tentar impor o voto fechado. A avaliação é de que isso reduziria a exposição dos senadores diante da opinião pública e facilitaria a absolvição.   O presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), aliado de Renan, é um dos defensores da idéia. "Se no plenário do senado, que é soberano, o voto é fechado, não há razão para ser diferente no conselho", argumentou.   Os relatores do caso Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS) afirmaram ontem que não concordam com o argumento de Quintanilha. "Os relatores são senadores. Se nós temos de revelar o nosso voto por que os outros integrantes do conselho não têm?", questionou Marisa. "O voto tem de ser aberto no conselho. Vou trabalhar para que isso aconteça, mas estou buscando base jurídica para batalhar para que a apreciação dos relatórios não seja fechada", avisou no sábado Casagrande.

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