'Votar era dar um tiro no próprio pé, mas foi impossível ser contra'

Leia entrevista com Chico Whitaker, coordenador do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral

Roberto Almeida / SÃO PAULO - O Estado de S.Paulo

19 Maio 2010 | 22h02

O coordenador do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, Chico Whitaker, acompanhou todos os passos e pressões para a aprovação do projeto Ficha Limpa, de autoria da entidade. Em sua avaliação, o projeto saiu “aperfeiçoado” do Congresso e dá esperança da realização de uma reforma política mais ampla.

 

Que avaliação o sr. faz da tramitação do Ficha Limpa?

O projeto saiu aperfeiçoado, melhor do que entrou, porque o processo a que ele foi submetido levou à incorporação de 10 outros projetos, com tudo o que tinham de bom pra agregar. E nessa fase foi feita uma modificação importante, que seria necessária de qualquer maneira, que era passar da condenação de 1ª instância para órgão colegiado. Do ponto de vista do movimento, a emenda saiu melhor que o soneto.

 

O movimento sai reforçado com essa experiência?

A aprovação do projeto mostrou a movimentação da sociedade, a aliança dela com a mídia, e o trabalho de diálogo com os parlamentares que honram o mandato deles. Houve um diálogo intenso para chegar a essas melhorias. Isso augura uma perspectiva interessante. Podemos pensar na reforma política.

 

Que impressão o sr. tem dos parlamentares depois da aprovação do Ficha Limpa?

Votar esse projeto era botar a faca na cabeça de uns, era dar um tiro no pé de outros. Mas a impossibilidade de ser contra ele foi crescendo. A votação na Câmara foi rapidíssima, as emendas caíram todas, e no Senado todos votaram a favor. Foi muito bonito.

 

Há chances de que o projeto valha para as eleições deste ano?

A pressão é para que valha esse ano se for levado para sanção. Mesmo que fosse aprovado em junho, juridicamente poderia valer porque está modificando uma lei que foi aprovada em maio e valeu no mesmo ano. Quem vai decidir isso de fato é o TSE. Mas mesmo se não valer este ano, ainda assim será bom. Em 2012, ano de eleições municipais, a foice vai cair muito mais fortemente.

 

O sr. espera um grande número de inelegíveis imediatamente?

Sei que tem muita gente com condenação em 1.ª e 2.ª instância. Tenho impressão que vai pegar mais gente do que se imagina. Agora é ver o que vai ser.

 

Qual o próximo passo?

Uma caravana para apresentar o ato de promulgação do presidente, que precisa ser bastante festejado. Depois disso vamos começar a reunir elementos para os próximos passos que queremos da reforma política

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