Votação sobre processo de Cunha no Conselho de Ética é adiada para a próxima semana

Devido a sessão paralela no Congresso, o presidente do colegiado, José Carlos Araújo, decidiu nem abrir debates nesta quarta; Cunha e seus aliados ganharam mais alguns dias para tentar arregimentar votos pelo arquivamento da ação que pode culminar com sua cassação

Daiene Cardoso e Daniel Carvalho, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2015 | 15h26

Atualizada às 16h47

BRASÍLIA - Em uma sessão que durou apenas meia hora nesta quarta-feira, 2, o presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PSD-BA), decidiu jogar para a próxima terça-feira, 8, a apreciação do parecer prévio que pede a admissibilidade do processo por quebra de decoro parlamentar contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Assim, Cunha e seus aliados ganharam mais alguns dias para tentar arregimentar votos pelo arquivamento da ação que pode culminar com sua cassação.

Ao contrário do que havia dito mais cedo, Araújo decidiu não abrir a sessão de debates para esgotar a lista de deputados que haviam se inscrito para discutir o relatório preliminar do deputado Fausto Pinato (PRB-SP). O presidente do colegiado alegou que não podia correr o risco de haver recursos futuros questionando o andamento de uma sessão do colegiado durante a reunião do Congresso. "Não vou correr esse risco, é muita responsabilidade", justificou.

Araújo consultou o grupo sobre a possibilidade de haver quórum amanhã, 3, para analisar o caso Cunha, mas diante da indisponibilidade de agenda de alguns conselheiros, decidiu marcar a sessão de análise do parecer contra o peemedebista para a próxima semana. Ele argumentou que o caso de Cunha "requer grande mobilização" e que prefere avaliar o processo com o quórum completo.

O líder do PSOL, Chico Alencar (RJ), protestou da decisão e destacou que há um temor de que se termine o ano legislativo sem votar o parecer contra Cunha. "Quero agilidade sem atropelamento. Quero sem protelação. Apelo para que o Conselho não atrapalhe o bom andamento da representação", afirmou Alencar.

O presidente do Conselho não mudou sua posição e anunciou que nesta quinta-feira serão analisados apenas os casos menos polêmicos do Conselho de Ética: os processos contra Chico Alencar (PSOL-RJ) e Alberto Fraga (DEM-DF).

Regulamento. O presidente do Conselho culpou o regimento interno do Congresso pela rapidez da sessão desta tarde.

“Quando o Congresso Nacional estiver na Ordem do Dia, nenhuma comissão pode funcionar. Segui o regimento para que não seja impugnada esta sessão”, afirmou.

Confrontado com a declaração dada pela manhã, quando já sabia que a sessão do Congresso estava convocada para as  12h, enquanto a do conselho estava prevista para as 14h30, Araújo disse que, naquele momento, acreditava que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), só começaria os trabalhos de fato mais tarde.

“Não contava que a ordem do dia ia começar às 14h. Não posso passar por cima do regimento”, afirmou.

O presidente do Conselho de Ética disse que aliados de Cunha invocaram o regimento para encerrar a sessão. “Vieram deputados, invocaram o regimento e não pude fazer. Se tivesse comum acordo, eu ia ouvir os deputados”, afirmou, referindo-se aos seis parlamentares inscritos para falar antes da votação.

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