Ed Ferreira/AE
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Votação sobre Irã é 1º teste de Dilma na ONU

Maria do Rosário vai expor em Genebra a visão do governo em relação aos direitos humanos

Jamil Chade - Correspondente / Genebra, O Estado de S. Paulo

26 de fevereiro de 2011 | 19h36

A Organização das Nações Unidas (ONU) realiza nesta segunda-feira, 28, em Genebra, sua sessão mais importante de direitos humanos no ano, com a situação na Líbia, Oriente Médio e Irã na mesa de discussão. A expectativa é ver como a diplomacia brasileira vai se posicionar e qual será a mensagem que Dilma Rousseff enviará à comunidade internacional.

O Brasil será representado no evento pela ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, escalada para apresentar pela primeira vez no novo governo a visão completa do Palácio do Planalto nas Nações Unidas. A ministra discursará no Segmento de Alto Nível do Conselho. O encontro com a cúpula da ONU terá a presença da secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton, da chefe da diplomacia da Europa, Catherine Ashton, e de ministros do Irã, Venezuela, China e Rússia.

Ao Estado, o embaixador da França na ONU, Jean Baptiste Mattei, afirmou que já começou a ver uma mudança no comportamento da delegação brasileira. "Parece que estão evoluindo", disse, desculpando-se em seguida pelo uso da palavra. "Não quero dizer que não estavam evoluídos. Apenas que agora parece haver maior cooperação." Um negociador britânico revelou a "satisfação" da Europa em ver o Brasil adotando posições mais próximas às democracias ocidentais. "Essa é uma grande notícia."

Julie de Rivero, representante da Human Rights Watch, também elogiou o Brasil. "Estamos finalmente acordando", ironizou. Peter Spindler, representante da Anistia Internacional, destacou a posição positiva do Brasil em se aliar ao grupo de democracias ocidentais e pedir uma reunião de emergência para lidar com a Líbia, na sexta-feira.

Votação. Entre os regimes autoritários, a curiosidade para saber o que pensa o novo governo brasileiro também é grande. Há uma semana, Cuba, países islâmicos e China ficaram irritados com uma decisão da delegação do Itamaraty, que mediava uma reforma do Conselho de Direitos Humanos a fim de dar mais poderes à ONU na convocação de reuniões de emergência sobre um país. Para diplomatas que acompanham as negociações, a comunidade internacional vai avaliar se, com o governo Dilma, o Brasil mudou não só seu discurso, mas seus posicionamentos nessa área.

O mais importante teste virá com a votação de um projeto de resolução sobre os direitos humanos no Irã. "Ainda que nos anos mais recentes o Brasil tenha apresentado justificativas de voto em que ressalta sua preocupação com situações específicas, isso não substitui um voto condenatório", afirmou Iradj Roberto Eghrari, representante da Comunidade Bahá’í do Brasil. "Se Dilma de fato mudar o voto brasileiro, o País voltará à posição que defendia de 1996 a 1999, quando votava de maneira coerente com os valores e princípios da sociedade brasileira."

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