Votação para prorrogar CPMF deve ficar para agosto

Prazo para que ´imposto do cheque´ vigore em 2008 vence em setembro

Christiane Samarco

10 de julho de 2007 | 21h39

A prorrogação da CPMF - conhecida como imposto do cheque - ficará para agosto. O governo queria com a ajuda do PMDB aprová-la antes do recesso parlamentar previsto para o dia 18, mas enfrentava obstáculos. Não bastasse a crise política que abate a cúpula peemedebista no Senado e contamina a bancada da Câmara, o Palácio do Planalto encara, agora, uma queda de braços com a direção do partido em torno de cargos de comando em estatais. O primeiro produto desta queda de braços é que a CPMF saiu da pauta de votação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.O ponto de discórdia que coloca em risco a coalizão e ameaça suprimir R$ 103 milhões do caixa do governo, por cada dia sem CPMF a partir de janeiro 1º de janeiro de 2008, é a presidência de Furnas Centrais Elétricas. Para comandar a estatal, a bancada fluminense, que é a maior do partido com 11 representantes, escolheu o ex-prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde.Mas como a nomeação não sai, a despeito das promessas de ministros e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, setores do PMDB nacional falam em "dar o troco no governo", que tem prazo até 30 de setembro para aprovar a prorrogação sem causar prejuízos ao Tesouro. Para desespero do governo, tanto o presidente da CCJ, deputado Leonardo Picciani, quanto o relator da CPMF na Comissão, deputado Eduardo Cunha, são do PMDB fluminense.Cunha já adiantou sua disposição de apresentar parecer favorável à prorrogação do chamado imposto do cheque, mas sua bancada quer deixar claro que não facilitará a vida de um governo que não cumpre com a própria palavra. Ainda que o imposto do cheque entre na pauta desta quarta-feira e Cunha apresente seu parecer nesta quinta-feira, não haverá votação. Como o partido Democratas já está obstruindo a aprovação da matéria, ninguém tem dúvidas de que um deputado pedirá vistas pelo prazo de duas sessões, adiando a votação para agosto.

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