Votação para indicação de sobrinho de ministro do TSE para conselho do MP é adiada

Presidente do Senado alega falta de quórum sobre sessão que envolve parente de Napoleão Nunes Maia

Isabela Bonfim e Thiago Faria, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2017 | 18h53

BRASÍLIA - Com quórum baixo de senadores no plenário, não foi possível votar a indicação de  Luciano Nunes Maia, sobrinho do ministro Napoleão Nunes Maia, para vaga no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) nesta quarta-feira, 7. O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), disse que não iria correr o risco de desaprovar nomes já sabatinados e aprovadas em comissão por falta de quórum. 

Conforme o Estado publicou anteriormente, enquanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgava a cassação da chapa Dilma-Temer, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado sabatinou e aprovou a indicação de Luciano para vaga no Conselho Nacional do Ministério Público. 

Napoleão é considerado um voto decisivo no julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE. Além disso, ele é também ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de onde se originou a indicação de Luciano para o CNMP. A indicação ainda precisa passar pelo plenário do Senado. 

Durante a sabatina, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) questionou Luciano sobre o parentesco com o ministro do TSE. Para o senador, a sabatina de Luciano no mesmo dia do julgamento da chapa Dilma-Temer gera desconfiança. 

"Ministros e setores da imprensa questionam o fato de o senhor ser sabatinado por este Senado Federal paralelamente ao pleno julgamento do Tribunal Superior Eleitoral sobre os rumos da cassação da chapa Dilma-Temer, tendo em vista que o voto do ministro Napoleão, pelo que tudo indica, será um voto decisivo nesse julgamento", disse Randolfe ao sabatinado. 

Luciano minimizou o parentesco com o ministro Napoleão e afirmou que não houve participação do tio em sua indicação. "O ministro Napoleão, que é meu parente, nem sequer participou da sessão de votação que resultou na minha escolha, muito menos votou. Eu não vi nenhum empenho pessoal dele nisso", afirmou. O candidato também esclareceu que é juiz de carreira, aprovado em concurso público de prova de títulos. 

A votação no STJ que indicou Luciano Nunes Maia para vaga no CNMP foi secreta e contou com a participação de 30 dos 33 ministros da Corte. Além dele, outros 51 juízes disputaram a vaga. Luciano tem menos de oito anos de magistratura. 

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