Votação na Câmara encerra greve dos professores

Num plenário esvaziado e com a galeria ocupada por professores, a Câmara aprovou o projeto de reajuste médio de 13% no salário-base dos docentes das escolas técnicas e universidades federais, a partir de fevereiro, e a proposta de aumento de 3,5% a todo funcionalismo público no próximo mês. Poucos servidores do Executivo conseguiram tanto nos últimos anos. É o caso dos funcionários do INSS que, depois de 108 dias parados, terão reajuste em torno de 20%, com a soma dos aumentos no salário-base e na gratificação. Até houve quem falasse em vitória, mas o prolongamento da greve dos professores, que acabará formalmente amanhã, após 107 dias, deixou sindicalistas, representantes do governo e parlamentares constrangidos em comemorar o resultado da mais longa paralisação no ensino superior nos últimos seis anos. "É lamentável que tenhamos chegado a mais de cem dias de greve, mas finalmente conseguimos um consenso que resolverá boa parte das reivindicações das universidades", afirmou o relator do projeto de lei, deputado Nelson Marchezan (PSDB-RS).A paralisação dos docentes, segundo o interlocutor do governo nas negociações, deve ser discutida. "O que precisamos tirar de lição é que no futuro uma greve, se ocorrer, deve ter um tempo curto de duração", disse Nelson Marchezan. "Só espero que o aumento salarial, que representará despesa de R$ 341 milhões no próximo ano, reflita na qualidade do ensino e estimule os professores."O projeto de lei seguirá agora para o Senado, onde a aprovação é certa. O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, evitou comentar o encerramento da paralisação. O Ministério da Educação (MEC) cobra uma reposição com qualidade das aulas perdidas. Já o presidente do Sindicato Nacional dos Docentes (Andes), Roberto Leher, acompanhou a votação na Câmara e considerou o "balanço da greve positivo". Ele voltou a criticar o governo pela falta de "entendimento com os professores", o que teria prolongado a paralisação.Em conversas reservadas, parlamentares que intermediaram as negociações entre sindicalistas e governo não pouparam críticas aos dois lados pela demora no fim do impasse. O Andes é acusado de não ter apresentado uma proposta fechada no início da paralisação e o Executivo, bloquear os salários dos docentes. AulasAs atividades nas instituições devem recomeçar na segunda-feira. Mas reitores de boa parte das universidades consideram inviável retomar as aulas ainda neste ano. O recesso do Natal e do Ano Novo torna mais complicado a abertura imediata das universidades. Hoje, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) divulgou nota sugerindo a volta às aulas na próxima semana. Mas o reitor da federal do Paraná e presidente da entidade, Carlos Roberto Antunes, por exemplo, defende a retomada das aulas no câmpus paranaense em janeiro.Já Mozar Neves Ramos, da federal de Pernambuco, vai propor ao conselho universitário, órgão da instituição que define o calendário, que os alunos sejam chamados antes das festas de final de ano, ao menos para receberam orientação sobre o material didático que será adotado e o conteúdo das disciplinas. "Como os estudantes só querem reiniciar as aulas no próximo ano, vou propor um meio termo, uma forma de reaquecer os motores", disse Ramos. Para o reitor, as aulas deveriam ter sido retomadas na última segunda-feira, mas ocorreu atraso nos cálculos do reajuste salarial e na elaboração do projeto de lei.

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