Votação do projeto do Código Florestal deve ser adiada

A discussão do Código Florestal voltou à pauta hoje, com um audiência pública no Senado, em Brasília, onde permaneceu a polêmica sobre o tamanho da área a ser preservada. De um lado, ambientalistas defenderam a manutenção de 80%, enquanto que de outro, ruralistas queriam a redução para 50%. O único consenso foi a necessidade da elaboração imediata do Zoneamento Ecológico-Econômico, um tema que nem o próprio governo federal sabe como vai administrar.Os ecologistas e até mesmo deputados do partido do governo defenderam o adiamento da votação do projeto de conversão da MP, que está marcado para o dia 30 deste mês, para outra data. Segundo assessores da Comissão Mista que estuda a alteração do Código, haverá uma nova reunião entre os deputados e ambientalistas na próxima semana. A tendência é marcar uma nova data para apresentação do parecer final do relator, Moacir Micheletto (PMDB-PR) Na platéia do auditório Petrônio Portela, no Senado, onde foi realizada a audiência pública, já havia marcas da divisão.Ambientalistas ocuparam uma ala, enquanto que os ruralistas a outra, e ninguém se misturava. Quando um dos lados expunha suas opiniões, o outro vaiava. Exibindo cartazes e balões verdes, o grupo de defesa da ecologia chegou causar irritação em alguns dos palestrantes. "São pessoas que não conhecem a Amazônia. São freqüentadores do Beirute (um bar famoso de Brasília)", provocou o deputado Salomão Cruz (PFL-RR).O único que agradou os dois lados foi o deputado Xico Grazziano (PSDB-SP), que defendeu o fim dos índices nos desmatamentos. "É preciso, antes de tudo, discutir critérios técnicos e científicos, deixando os índices de lado", afirmou Grazziano. Sua sugestão recebeu apoio da coordenadora da rede de organizações não-governamentais (ongs) de defesa da Mata Atlântica, Adriana Ramos, que defendeu, porém, uma melhor política de governo para a região principalmente na área de infra-estrutura para evitar mais danos ambientais e o adiamento da votação.Micheletto (PMDB-PR) ficou o tempo todo calado. Ficou por conta de parlamentares da bancada da Amazônia a maior parte da defesa do rebaixamento dos índices de desmatamentos. "Proibir desmatamento acima de 20% de uma área é um desatino", protestou Geovani Queiróz (PDT-PA), vaiado ao afirmar que "a pastagem produz mais oxigênio que a floresta." Pelos ambientalistas falaram representantes de diversas entidades ligadas ao setor, como o representante da organização Amigos da Terra, Roberto Esmeraldi, outro defensor da mudança da data de apresentação do relatório.A primeira reedição da MP que estabeleceu os novos parâmetros de desmatamento da Amazônia ocorreu em 1996. De lá para cá, houve muitas discussões e nenhum consenso, inclusive dentro do próprio governo. "O agricultor não pode pagar a conta sozinho. O que está sendo feito é uma desapropriação indireta", ressaltou a deputada Kátia Abreu (PFL-TO).

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