Votação de entrada da Venezuela no Mercosul deve ser adiada

Caso seja aprovada na comissão, adesão só será votada em plenário depois que parlamentares visitarem o país

Agência Brasil,

28 Outubro 2009 | 12h48

A controvérsia sobre a participação da Venezuela no Mercosul deve adiar novamente a definição sobre a entrada do país no bloco. Previsto para ser votado nesta quinta-feira, 29, na Comissão de Relações Exteriores do Senado, o relatório que autoriza o ingresso dos venezuelanos no bloco tem chances de ser aprovado pelos parlamentares. Mas a segunda etapa, de acordo com senadores, que é a votação no plenário da Casa só ocorrerá depois de uma comissão parlamentar visitar a Venezuela.

 

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No mesmo dia em que o assunto estará na pauta do Congresso Nacional, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez se reunirão na cidade de El Trigre, na parte oriental venezuelana. Eles vão participar da primeira colheita de soja plantada com apoio de tecnologia brasileira.

 

Chávez e Lula vão discutir também acordos para manter a exploração de novas áreas de cooperação bilateral, como os setores automotivo, agropecuário, médico, petroquímico, de materiais de construção, de equipamentos de petróleo, de metalurgia, eletrônica, da cadeia têxtil e de equipamentos de defesa.

 

O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), afirmou que colocará em votação tanto o relatório quanto o requerimento propondo o envio de um grupo de cinco senadores à Venezuela.

 

O senador Romeu Tuma (PTB-SP) e o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Netto (AM), afirmaram que o tema está sendo conduzido de forma açodada e que o ideal é só levar o assunto ao plenário da Casa após a visita dos parlamentares ao país vizinho.

 

"A polêmica é muito grande. É estranho que se queira aprovar um tema desses com tanta pressa", disse Virgílio. "A verdade é que não há consenso, e o fato de haver muita polêmica em torno do assunto complica o andamento do processo", afirmou Tuma.

 

Na última terça-feira, 27, o relator do caso na comissão, senador Tasso Jereissatti (PSDB-CE), sugeriu que seja firmado um acordo com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, para que ele assegure o cumprimento de garantias de que vai respeitar e cumprir os princípios democráticos.

 

Contrário ao ingresso da Venezuela no Mercosul sob a alegação de que Chávez não obedece a cláusula democrática, Tasso terá seu relatório votado. Paralelamente, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) apresentou um voto em separado defendendo justamente o oposto.

 

Uma vez aprovada a adesão da Venezuela na comissão, o tema será levado ao plenário do Senado em votação aberta. Não há data para ser votado. Mas o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), já afirmou ser contrário à participação dos venezuelanos, e outros aliados também pensam da mesma forma. De acordo com os parlamentares, a tendência é que integrantes da base do governo contrários à integração da Venezuela ausentem-se da votação.

 

Na tarde de terça-feira, 27, o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, que faz oposição a Chávez, defendeu com veemência o ingresso de seu país no bloco. Segundo ele, o isolamento pode prejudicar os venezuelanos. Mas atacou duramente Chávez chamando-o de antidemocrático.

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