Votação da CPMF é o primeiro alvo

Oposição já conseguiu atrasar a votação na Câmara ontem mesmo

Eugênia Lopes e Christiane Samarco, Brasília, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2014 | 00h00

A Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) transformou-se ontem no primeiro alvo da reação dos oposicionistas à absolvição de Renan Calheiros (PMDB-AL), com apoio do PT e do Planalto. Na Câmara, apesar dos esforços do presidente Arlindo Chinaglia (PT-SP), que deixou de plantão os deputados até as duas horas da madrugada, os líderes aliados não conseguiram limpar a pauta de votações, o que permitiria aprovar a prorrogação da CPMF em primeiro turno na semana que vem.No Senado a situação do governo é mais difícil e há risco de a CPMF não ser aprovada. Os senadores que se reuniram no gabinete de Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, mostraram-se dispostos a obstruir a votação. "Não é um governo de coalizão? Pois que o governo acione sua coalizão, ponha os 49 senadores em plenário para prorrogar a CPMF e prove que ela não funciona só na base do toma-lá dá-cá", desafiou Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE).Para o tucano Sérgio Guerra (PE), é mais fácil unir a oposição contra a CPMF do que contra Renan. A despeito da pressão de governadores do PSDB, como José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas, Guerra acha que o governo não terá como aprovar a contribuição sem fazer concessões. "E quando digo concessão não falo em compartilhar recursos com os Estados, mas em concessão à sociedade, para reduzir a carga tributária."Apesar do clima, Renan não vê problemas e deu sinais ontem de que pretende enfrentar a oposição. "A dificuldade é a mesma de votar uma emenda constitucional, que precisa de quórum qualificado, em dois turnos de votação, nas duas Casas."Na avaliação do líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES), a sorte do governo é que a CPMF só deve chegar à Casa em meados de outubro, depois de passar pela Câmara. "Até lá, nós já adequamos a situação no Senado. Ou adequamos com Renan, ou sem Renan."Na Câmara, a oposição fez uma megaoperação anteontem à noite para atrasar a tramitação da CPMF. Minoria na Casa, usou manobras regimentais e arrastou por quase dez horas a sessão de votação da medida provisória que prorroga o recadastramento de armas de fogo para 2008. A MP acabou ficando para terça-feira. Com isso, o primeiro turno de votação da CPMF deve ocorrer só na última semana do mês.

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