Voluntariado pode ter rede na internet

A formação de uma rede mundial de entidades voluntárias e a pressão para que os delegados brasileiros na Organização das Nações Unidas (ONU) apóiem a resolução que liga assistencialismo ao desenvolvimento social foram as principais propostas apresentadas pelo coordenador do programa das Nações Unidas para o voluntariado, Douglas Evangelista, no 1º Congresso Brasileiro de Voluntariado.Durante o evento, nesta segunda-feira, na Pontifícia Universidade Católica (PUC), o coordenador afirmou que a rede de comunidades, para troca de experiências pela internet, deve ajudar as entidades que trabalham com voluntários. "A rede servirá para criar vínculos e trocar experiências entre as organizações de diversos países", explicou.Evangelista coordena o programa das Nações Unidas de Voluntariado para a América Latina, Caribe e países árabes, que reúne 4.700 pessoas que atuam nessas regiões, com orçamento anual de US$ 80 milhões.Segundo ele, o único país do mundo que mede, em termos econômicos, a participação dos voluntários na sociedade é o Canadá, campeão mundial de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que afere a qualidade de vida das nações. "Lá, o voluntariado chega a 8% do Produto Interno Bruto (PIB), entre doações a entidades e tempo dispendido pelos voluntários no atendimento", disse.A Comissão de Desenvolvimento Social da ONU tentará aprovar, em 5 de dezembro, Dia Mundial do Voluntariado, na assembléia-geral, uma resolução para incentivar esse trabalho no desenvolvimento social dos países-membros.Com isso, as nações terão a obrigação de oferecer apoio ao trabalho voluntário. O coordenador sugeriu que as organizações pressionem os delegados brasileiros na ONU para assinarem a resolução final.O padre Júlio Lancelotti, o rabino Henry Sobel e o pastor adventista Daniel Pereira dos Santos discutiram durante a tarde desta segunda-feira, no Congresso, o voluntariado nas organizações religiosas.Para a coordenadora de voluntariado do Grupo de Apoio ao Adolescente e Criança com Câncer (Graacc), Ana Maria Silva Guimarães, a discussão ajudou a definir a forma como o voluntariado deve atuar entre as diversas religiões."O encontro está fazendo com que o nosso trabalho seja facilitado. Os voluntários enfrentam algumas dificuldades para trabalhar com pessoas de religiões diferentes das que eles próprios seguem", disse.Lancelotti lamentou que, até entre pessoas que desenvolvem trabalho social, prospere a tese de redução da maioridade penal para 16 anos. "As pessoas não têm noção do alcance social e do impacto na juventude de uma medida como essa", afirmou.

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