"Volto ao Senado", anuncia Bezerra

O ministro da Integração Regional, Fernando Bezerra, anunciou às 15h45, em entrevista coletiva que estava sendo transmitida ao vivo pela TV, que está deixando o Ministério por falta de sustentação política. "Deixo o Ministério porque me faltou a solidariedade do meu partido", afirmou. Segundo Bezerra, nenhuma liderança do PMDB veio a público, desde que as denúncias em torno da empresa Metasa surgiram, para defendê-lo. Bezerra anunciou que pretende se afastar do partido. Bezerra havia convocado uma entrevista coletiva para explicar à imprensa sua relação com a empresa Metasa e com os incentivos recebidos pela companhia da Sudene, denunciados pela revista Veja desta semana. Depois de dar explicações sobre a empresa, ele anunciou sua demissão do cargo. E informou que volta ao Senado e também à CNI, Confederação Nacional da Indústria, da qual é presidente licenciado. Segundo Bezerra, o presidente Fernando Henrique Cardoso não lhe pediu o cargo (os dois estiveram reunidos hoje por volta das 12h30 no Palácio do Planalto), e a decisão de sair do governo foi tomada por ele próprio de "maneira madura". Bezerra disse que seu primeiro ato, ao retornar ao Senado, será assinar o pedido de criação da CPI da Corrupção, exigindo que o primeiro caso a ser investigado seja o da Metasa, empresa da qual foi sócio e pivô das acusações feitas pela revista Veja na edição desta semana. O ministro contou que o presidente Fernando Henrique Cardoso lhe disse hoje, depois de ouvir suas explicações sobre o caso, que ele era "um homem honrado" e lhe propôs que entregasse os documentos sobre sua participação na empresa à Corregedora Geral da República, Anadyr de Mendonça Rodrigues, para que ela pudesse analisar a veracidade dos documentos num prazo de dez dias. Na entrevista coletiva, Bezerra apresentou seu currículo político e fez, em ordem cronológica, o retrospecto da criação da Metasa. Nesse retrospecto, disse que a empresa foi criada no início dos anos 80, para industrializar a xelita, transformando-a num ferro-liga com base no tungstênio. Ele disse que não participou da fundação da empresa que teve projeto aprovado pela Sudene em 86. O ministro afirmou que foi convidado a participar em 89 depois que o Grupo Odebrecht adquiriu a empresa Tenenge, uma das sócias do projeto junto com a Mineração Tomás Agustino e uma empresa estatal do Rio Grande do Norte. Bezerra garantiu que, no tempo em que permaneceu como sócio (89 a 98), todas as contrapartidas aos investimentos da Sudene foram realizadas conforme o disposto no projeto. Ele disse que desinteressou pela empresa no momento em que o negócio da industrialização dos ferros-liga tornou-se economicamente inviável e também porque ele passou a se dedicar mais à política e seus filhos queriam se concentrar no negócio principal da família.

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