Volta de Berzoini à presidência do PT abre briga no partido

O secretário nacional de Finanças e Planejamento do PT, Paulo Ferreira, criticou nesta quinta-feira a posição do secretário de Relações Internacionais do partido, Valter Pomar, que havia se manifestado contra a volta do deputado federal Ricardo Berzoini (SP) à presidência do PT. Em artigo publicado no site da legenda, Ferreira defendeu o retorno de Berzoini ao cargo e sugeriu que Pomar não estaria interessado no melhor para o PT, mas sim em obter vantagens políticas ao explicitar sua opinião."O ato político que marcou a volta de Ricardo Berzoini à presidência do Partido dos Trabalhadores, em Brasília, no dia 2 de janeiro, foi marcado pelo sentimento de Justiça", disse Ferreira, no artigo. De acordo com o dirigente, ao pedir afastamento, Berzoini exigiu que fosse reconduzido à presidência do partido assim que as investigações do dossiê chegassem ao fim e nada apontassem contra ele. "E foi exatamente assim que aconteceu", destacou Ferreira.Quanto pior, melhorFerreira questionou as reais intenções de Pomar ao criticar o retorno de Berzoini ao cargo. "Por que jogar contra quem, aliás, foi legitimamente escolhido num processo de escolha que contou com a participação de mais de 300 mil militantes? Que democracia defendem? A quem interessa desestabilizar Berzoini?", perguntou. "Não quero crer que alguns dirigentes petistas sejam adeptos do quanto pior melhor, atribuindo a culpa a quem sequer foi citado, muito menos que desejam que o nosso presidente caia em desgraça para, assim, conquistarem vantagem política", acrescentou.Ferreira criticou ainda o fato de Pomar ter divulgado sua posição. Para ele, a reflexão sobre a crise política que o partido atravessou e a discussão sobre os novos rumos do PT são assuntos que devem ser abordados internamente, no Congresso que a legenda vai realizar em julho deste ano."Por fim, se o companheiro Valter Pomar - a quem muito respeito - estivesse de fato preocupado com o que é melhor para o PT, poderia se utilizar das instâncias internas do partido para promover este debate, já que ele e alguns outros dirigentes sempre foram muito críticos em levar disputas internas para a mídia", finalizou. AfastamentoEm 6 de outubro de 2006, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, anunciou seu afastamento da presidência do partido por suspeitas de envolvimento na tentativa de compra do dossiê contra tucanos, mas nada ficou comprovado contra ele. Por conta desse mesmo episódio, o petista foi afastado da coordenação de campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi substituído - nas duas atribuições - por Marco Aurélio Garcia, que também é da diretoria do PT.Em 15 de setembro, a Polícia Federal prendeu em Cuiabá um dos donos da Planam, Luiz Antonio Vedoin, e seu tio Paulo Roberto Trevisan, que estavam negociando a venda de informações contra os candidatos tucanos José Serra (ao governo de São Paulo) e Geraldo Alckmin (à Presidência da República).Depois da prisão de Vedoin e Trevisan, a PF de Mato Grosso avisou a de São Paulo, que horas depois prendeu na capital outros dois integrantes do esquema, os petistas Valdebran Padilha e Gedimar Passos. Eles estavam com parte dos R$ 1,75 milhão que seriam usados na compra do material pelo PT. O ex-assessor de Mercadante, Hamilton Lacerda, foi flagrado por câmeras de circuito interno do hotel carregando malas.Após 96 dias de investigação, a PF indiciou sete envolvidos no caso e Berzoini ficou de fora. Entre eles, o senador Aloizio Mercadante, o tesoureiro de sua campanha ao governo de São Paulo, José Giácomo Baccarin, além de Gedimar, Valdebran e Lacerda.Este texto foi alterado às 21h31 para acréscimo de informação

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