'Vocês petistas nunca receberam o Lula para almoçar; eu já', provoca Maluf

Deputado condenado por lavagem de dinheiro faz defesa de Temer e volta a criticar denúncia de Janot contra presidente

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2017 | 15h16

BRASÍLIA - Ferrenho defensor do presidente Michel Temer durante a votação da primeira denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o deputado Paulo Maluf (PP-SP) voltou a fazer uma defesa enfática do peemedebista nesta terça-feira, 17, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Em seu discurso durante a sessão de debates sobre a segunda denúncia, Maluf acusou o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot de fazer "terrorismo" contra a economia brasileira ao pedir a abertura de nova investigação contra o peemedebista.  

Maluf foi condenado em maio pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a 7 anos, 9 meses e 10 dias de prisão em regime fechado e à perda do mandato na Câmara, pelo crime de lavagem de dinheiro. A denúncia contra o deputado foi oferecida por Janot em outubro de 2014 em razão de irregularidades na prestação de contas da campanha de 2010.

+++ Ministros mantêm condenação de Maluf, mas ele não vai preso

Admitindo ser um homem polêmico e ressaltando que tem orgulho disso por dizer o que pensa, Maluf disse que conhece Temer há mais de 30 anos e que ele foi eleito por três vezes presidente da Câmara porque seu colegas reconheceram nele "valores que o dignificam".

Membro da CCJ, Maluf lembrou que já presidiu seu partido e que, assim como Temer pediu recursos para o então candidato à Prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita, ele também o fez em outras campanhas. "Eu pedi e Michel Temer também", declarou. Em uma clara provocação aos petistas, Maluf lembrou que apoiou a candidatura de Fernando Haddad para a Prefeitura paulistana e que, na ocasião, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi almoçar em sua casa para pedir apoio ao candidato petista em 2012. "Vocês petistas nunca receberam o Lula para almoçar. Eu já", provocou.

+++ Maluf diz que encontro com Temer foi 'entre dois amigos' e volta a criticar denúncia

Maluf pregou que se espere o término do mandato de Temer e afirmou que a Procuradoria da República não é partido político. "O que Janot fez de terrorismo em investimentos nacionais e estrangeiros no País não tem retorno", insistiu. O deputado também enalteceu o trabalho do relator Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) e criticou os tucanos por terem condenado sua indicação para a função. "O relatório do colega Bonifácio é um primor", disse.

"Orcrim" 

Autor de um dos votos em separado que pede a admissibilidade da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, o deputado Major Olímpio (SD-SP) subiu o tom na CCJ ao defender as investigações contra os governistas. Para o deputado, o grupo se juntou em uma organização criminosa, que ele chamou de "Orcrim". "É o primeiro comando do Planalto mesmo, mais perverso que o PCC (facção criminosa)", disse.

Olímpio leu a carta de Temer enviada aos parlamentares e ironizou o conteúdo. O deputado chamou o presidente de "indecente e imoral". "É a maior e mais perigosa quadrilha que existe no Brasil hoje. Aqui poucas lideranças do PCP (Primeiro Comando do Planalto) estão recolhidas, serão recolhidas, não tenho dúvida disso, o tempo vai mostrar", acrescentou.

O deputado disse ter como única esperança a pressão da opinião pública para reverter votos a favor da denúncia. "Aqui a carta está marcada", lamentou.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.