'Você é o próximo a ser preso', grita Clarissa Garotinho para Pedro Paulo no debate

Candidato apoiado pelo prefeito Eduardo Paes foi o principal alvo no último encontro entre candidatos, promovido pela TV Globo

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2016 | 01h27

RIO - O clima começou tenso no debate da TV Globo no Rio de Janeiro, já na primeira pergunta, de Jandira Feghali (PC do B) para Pedro Paulo (PMDB). Parte da plateia, em especial a claque do candidato do PRB, Marcelo Crivella, vaiou Jandira quando a candidata disse que a TV Globo apoiou o “golpe” contra a presidente cassada Dilma Rousseff e a torcida do candidato do PMDB reagiu quando Jandira o chamou de “agressor de mulher”. “Tchau querida”, gritou  uma participante da claque de Pedro Paulo para a candidata do PC do B.

A animosidade continuou no confronto entre Crivella e Pedro Paulo. Quando o peemedebista atacou Anthony Garotinho, do PR, citando condenações de ex-auxiliares do ex-governador do Rio, a deputada Clarissa Garotinho (PR-RJ), filha de Garotinho, reagiu. “Você é o próximo a ser preso”, gritou. O PR de Garotinho e Clarissa faz parte da coligação que apoia Crivella. O candidato do PRB, no entanto, não faz menção ao ex-governador na campanha. Quando questionado, diz sempre que Garotinho queria apoiar o candidato do PSD, Indio da Costa, mas que Clarissa insistiu no apoio a Crivella.

Candidata a vice de Pedro Paulo, a deputada estadual Cidinha Campos (PDT) era uma das mais exaltadas na plateia. A certa altura, o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) perdeu a paciência com convidados que insistiam em fazer comentários em voz alta durante o primeiro bloco. “Cala a boca aí”, gritou Chico, apoiado por outros militantes do PSOL e aliados de Freixo, como o ator Wagner Moura. “Cadê a Janira?”, respondeu uma voz feminina, citando a ex-deputada estadual Janira Rocha, expulsa do PSOL, acusada de se apropriar de parte do pagamento de funcionários de seu gabinete na Assembleia Legislativa.

A provocação de Crivella ao candidato do PSC, Flávio Bolsonaro, chamado de “Jair” pelo senador do PRB, descontraiu o ambiente tenso. Até o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), pai de Flávio, riu da “confusão”.

Por causa da estratégia de nacionalizar a campanha e defender Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a candidata do PC do B foi chamada de “Jandilma” por um convidado na plateia. Os aliados de Freixo comemoraram quando Pedro Paulo cobrou explicações do candidato do PSOL por ter empregado em seu gabinete na Assembleia Legislativa um funcionário condenado com base na Lei Maria da Penha, que pune agressores de mulheres. Alguns chegaram a levantar para ouvir a resposta do candidato do PSOL, que disse ser “inacreditável” que Pedro Paulo mencionasse o tema. E exultaram ao final do embate entre os candidatos do PMDB e do PSOL. “Uh, é Feixo”, gritaram no intervalo entre o terceiro e o quarto blocos.

Além de Wagner Moura, levado por Freixo, o ator Tiago Lacerda também assistiu ao debate na plateia, como convidado da TV Globo.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reforçou a torcida de Pedro Paulo. O prefeito Eduardo Paes não compareceu a nenhum debate do primeiro turno.  

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