WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Vizinhança faz 'buzinaço' em frente à casa de Adriana Ancelmo

Um dia depois da ex-primeira dama sair de Bangu para cumprir prisão domiciliar, pelo menos dez pessoas se reuniram na porta do edifício no Leblon, em protesto ao benefício concedido a Adriana

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

30 Março 2017 | 15h31

RIO - Motoristas que passam em frente à portaria do prédio onde mora Adriana Ancelmo, a ex-primeira dama do Rio que está em prisão domiciliar, fazem um "buzinaço", obedecendo a cartazes que pedem: "buzine, não adianta, ainda é detenta". Um varal com camisetas com frases de protesto também foi montado nesta quinta-feira, 30, um dia depois que Adriana foi transferida de foi transferida do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na zona oeste, para casa. 

Pelo menos dez pessoas, entre moradores e representantes da Associação SOS Bombeiros, se reuniram junto ao edifício na Rua Aristides Espíndola, no Leblon, na zona sul do Rio. Lá, deverá ficar reclusa, com visitas restritas e sem acesso a telefone ou internet. Os manifestantes gritaram palavras de ordem contra a concessão do benefício a Adriana.

Um dos manifestantes, o bombeiro Adin Noronha, se disse revoltado com a decisão da Justiça. "Aqui no Brasil, crime compensa. O ex-governador Sérgio Cabral (Filho – PMDB) roubou tanto que até hoje estamos sem o nosso décimo-terceiro salário", disse.

Adriana e o marido são acusados de corrupção e outros crimes durante o governo Cabral (janeiro de 2007 a abril de 2014). Ele continua preso em Gericinó, com outros ex-integrantes de sua gestão.

O presidente da Associação Amiga do Leblon e Adjacências, Augusto Boisson também levou cartazes para a fachada do prédio. Ele criticou o Judiciário. "Essa decisão abriu um precedente perigoso para todas as mães presas também pedirem para sair da cadeia. Quero ver se todas terão os pedidos atendidos", disse Boisson. Ele contou que também participou das manifestações de 2013 contra Cabral.

Alguns moradores do bairro que passavam no local paravam para observar a manifestação ou tirar fotos. Morador do Leblon há 30 anos, o cantor Alceu Valença foi um deles.

"Defendo que a coisa seja julgada com provas contundentes, e o juiz tem que ter a cabeça tranquila para que a lei seja cumprida e o caso não seja julgado da forma que as pessoas e facções querem", disse. Acrescentou que "não era bem um fã de Cabral".

Alceu defendeu que todas as mães detentas deveriam entrar na Justiça para ter o mesmo indulto. "A justiça que se faça e ela deve der para rico e para pobre", afirmou.

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