Viúvas da P-36 vão à Justiça por indenização

Nove das onze viúvas dos funcionários mortos na explosão da plataforma P-36, da Petrobras, em março deste ano, prestaram depoimento nesta quinta-feira na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro que apura as causas do acidente.Muito emocionadas, elas reclamaram de descaso por parte da estatal. Em seguida, estiveram no Fórum estadual, onde fizeram um protesto e entraram com dez ações de responsabilidade civil contra a empresa por danos materiais e morais.Em cada uma das ações, o advogado do Sindicato dos Petroleiros, Mário Sérgio Pinheiro, que representa dez das viúvas, pede à Justiça que retenha um onze avos do seguro de US$ 569 milhões a que Petrobras tem direito pelo afundamento da plataforma ou de cerca de R$ 1 bilhão que a empresa deve repassar a acionistas até o dia 16, a título de dividendos.O objetivo desta ação é garantir o pagamento de futuras indenizações que venham a ser concedidas pela Justiça.Em outra reivindicação, dirigida ao Ministério Público do Trabalho, o sindicato solicita uma inspeção nesta sexta-feira na plataforma P-40, atualmente em reparo no estaleiro Mauá, na Baía de Guanabara.Os petroleiros querem impedir que a plataforma seja deslocada para a Bacia de Campos, o que, afirmam, estaria previsto para o sábado.Por volta das 16 horas, o grupo se encontrou com o chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins, para cobrar agilidade no inquérito que apura as responsabilidades criminais pelo acidente a cargo da delegacia de Macaé, norte fluminense.A imprensa não teve acesso à reunião. "O relatório da Petrobras já tem elementos suficientes para que a polícia aponte os responsáveis", afirmou Pinheiro.O depoimento mais longo à CPI foi o de Ivanir Peixoto Couto. "É até um pouco macabro, mas nossos maridos têm o túmulo mais caro do mundo. Um túmulo de US$ 500 milhões. Estou nova, vou brigar até o fim, enquanto tiver saúde."De acordo com as viúvas, a única coisa que a Petrobras está fazendo é pagar as mensalidades escolares de seus filhos.Elas reclamam, porém, de que não há qualquer documento que garanta a manutenção do benefício até que os filhos terminem a faculdade ou até os 24 anos, como foi prometido. Além disso, a empresa impõe condições, como não-repetência, para o financiamento.De acordo com o advogado do grupo, tudo o que elas estão recebendo é uma pensão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), complementado pelo fundo de pensão Petros, para o qual os funcionários contribuíam mensalmente.Mesmo assim, o valor é inferior aos salários recebidos pelos funcionários quando vivos. "A Petrobras só paga o que é direito. Não houve nenhuma indenização.""Só quero que eles (a Petrobras) saibam que não vão nos vencer pelo cansaço. Vamos fazer Justiça nem que seja a última coisa das nossas vidas. Não estamos medindo esforços", disse Rita Araújo.De acordo com o presidente da CPI, deputado Paulo Ramos (PDT), a comissão pedirá em agosto a quebra do sigilo bancário e fiscal de diretores de empresas envolvidas na construção da plataforma, entre as quais a Marítima S.A., e da antiga diretoria da Petrobras, a começar pelo seu ex-presidente Joel Rennó.A Petrobras foi procurada para rebater as acusações do parlamentar e das viúvas do funcionários mortos, mas a assessoria da empresa não telefonou de volta.

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