Viúva do piloto critica pastor por fala sobre Mamonas

Em Orlândia, uma família em especial sentiu-se incomodada com as pregações do pastor e deputado Marco Feliciano (PSC-SP) divulgadas recentemente no YouTube. A viúva e as duas filhas do piloto Jorge Martins, comandante do avião Learjet 25, que caiu em março de 1996 com a banda Mamonas Assassinas, são da mesma cidade do parlamentar, hoje presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. "Foi um comentário infeliz, numa hora infeliz", diz a empresária Cristiane Parreira Martins, de 43 anos. "Sou moradora de Orlândia há 43 anos, tenho uma filha de 20 anos e uma de 18 e sou conhecida na cidade, como ele é. Foi uma atitude, uma pregação infeliz."

RICARDO BRANDT, Agência Estado

22 Abril 2013 | 07h49

No vídeo, em um culto em 2005 em Camboriú (SC), Feliciano diz que sua mulher estudou com a viúva do piloto - Cristiane nega - e afirma que Deus teria derrubado o avião que transportava os cinco músicos da banda por causa de suas músicas. Para o pastor, que só cinco anos depois entraria na política, os Mamonas "tentaram colocar palavras torpes na boca das nossas crianças". Hildebrando Alves, pai do vocalista Dinho, disse que vai processar Feliciano pelas declarações.

A viúva do piloto prefere agir de forma diferente. "Neste momento, eu consigo sentir dó, pena de um comentário que chegou a me perturbar, como perturbou às minhas filhas. Mas a gente têm de ser superior nessa hora", afirma Cristiane. "Quando o vídeo foi colocado na internet, nos machucou, nos feriu. Porque ele nos conhece, conhece minhas filhas, e sabia que aquela pregação infeliz e inútil nos machucaria."

Cristiane compara o conceito de Deus exposto nas pregações de Feliciano. "Se Deus, o Deus do Marco, queria tirar esse grupo que cantava músicas ?inconsequentes? - sei lá como ele chamou -, o que o meu marido tinha a ver com isso? Ele não cantava, era o piloto, estava trabalhando, com uma filha de 1 ano e uma de 3 anos em casa", diz a viúva. "A gente tem de acreditar que o mesmo Deus dele não é meu Deus." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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