Viúva de sargento morto em atentado quer promoção póstuma

A viúva do sargento Guilherme Pereira do Rosário, que morreu na noite de 30 de abril de 1981, após a explosão de uma bomba no estacionamento do Riocentro, recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar a promoção póstuma do marido ao posto de general. Na ação, Sueli José do Rosário, de 60 anos, argumenta que o sargento estava a serviço do Exército, "apenas cumprindo ordens". Inicialmente o Exército arquivou o caso, oficialmente considerado "um atentado cometido por ativistas de esquerda". Mas, 18 anos depois, houve a confirmação de que a bomba que explodiu no colo do sargento seria detonada, possivelmente, no pavilhão do Riocentro - onde cerca de 10 mil pessoas assistiam a um show em comemoração ao Dia do Trabalho - ou em outro lugar do centro de convenções, para provocar pânico entre os jovens.O advogado da viúva, Jesse Velmovitsky, classificou como "uma coisa rotineira" a atuação do militar no episódio. Na opinião dele, "jogar a responsabilidade em cima de Guilherme é a mesma coisa que responsabilizar os soldados dos EUA pela guerra no Iraque, e não o presidente Bush". "Ele já tinha feito centenas de operações do tipo. Naquela altura, não sabia o que era, não tinha noção do objetivo de seus superiores. Mandaram levar a bomba, e ele levou", disse o advogado.Sueli teve o pedido indeferido em primeira instância. O juiz Benedito Gonçalves, da 3.ª Vara Federal, considerou "improcedente" a solicitação. "A lei (n. .º 5.195/66) determinou, para o caso, a promoção ao posto ou graduação imediata (no caso, segundo-sargento), tornando o pedido juridicamente impossível", escreveu o juiz. A viúva também pede na Justiça Federal uma indenização pela morte do marido para ela e os dois filhos do casal.

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