Viúva de Covas entra com pedido de indenização

A viúva do governador Mário Covas, Lila Covas, apresentou à Comissão de Anistia do Ministério da Justiça um pedido de indenização de R$ 4,7 milhões, por danos morais e materiais que seu marido sofreu ao ser cassado, em 1969, quando era líder do MDB na Câmara. O ministério determinou que o processo tramite em sigilo e se negou a dar detalhes do pedido. O valor solicitado como indenização foi calculado pelos advogados contratados pela família Covas, segundo Mário Covas Júnior, filho do governador. Uma fonte do ministério, contudo, comentou que os processos não devem sugerir um valor de indenização, mas simplesmente pedi-la e listar as razões que amparam a solicitação. O cálculo é feito pela comissão, depois de aprovar o pedido. Os valores que vêm sendo pagos são muito inferiores ao calculado pelos advogados da família.Covas Júnior explicou que a família nunca tinha pensado em solicitar indenização pelos prejuízos políticos sofridos por seu pai, mas foi alertada pela quantidade de pedidos apresentados à Comissão de Anistia, muitos concedidos. Ele disse que a decisão foi simples: há uma lei que beneficia a família, que resolveu entrar com o pedido. "Meu pai foi cassado com 39 anos, quando era líder da oposição. Ficou dez anos sem direitos políticos", argumenta.Ao ser cassado, Covas foi preso por alguns dias no quartel-general do Exército, em Brasília, lembra o filho. Depois voltou para Santos, vendeu o único carro que tinha e hipotecou a casa para abrir um escritório de importação e exportação. No primeiro dia de funcionamento do escritório, Covas foi "visitado" por dois oficiais da Aeronáutica, que o levaram preso mais uma vez. Mergulhado numa atividade que não conhecia bem, só conseguiu ganhar dinheiro para viver com certo conforto em 1975, relata o filho."Eu e minhas irmãs estudamos em escolas públicas, pois meu pai não tinha dinheiro para pagar escola particular", conta Covas Júnior. Anistiado em 1979, Covas só pôde ser candidato outra vez em 1982, quando recuperou o mandato de deputado. Depois foi prefeito, senador e governador duas vezes, morrendo no exercício do segundo mandato. Atualmente, Lila Covas recebe pensão proporcional ao tempo dos mandatos parlamentares que o marido cumpriu. Ela não recebe pensão pela passagem de Covas pelo governo estadual.

Carlos Marchi, O Estadao de S.Paulo

15 de março de 2008 | 00h00

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